A dor do inverno

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{ Imagem: reprodução } 

Temperatura beirando os 10°C, corpo pedindo calor e a mente aconchego.
Uma carência enorme. Mãos e pés gelados. Casa e cama vazias. Café só pra um.
Está tudo arrumado, mas o que ela queria nesse inverno era uma boa e bem-vinda bagunça.
A música que toca no ipod aumenta a vontade de pertencer à alguém. Nesse frio, que ela não gosta muito, o que mais pensa é sobre acalento, alguém pra abraçar e dizer ao pé do ouvido: “que frio, me esquenta”. Sabe aquele tipo de solidão que só carinho de amor resolve? Pois é.
Ela é rodeada de gente bacana, sai com os amigos todo final de semana, mas todo domingo a noite só deseja alguém para dividir a pizza, o sofá pequeno e um cobertor.
Mas ela anda com medo. Medo de se doar e se machucar, por mais uma vez. Depois das decepções ela só lembra do quanto doeu quando tudo acabou. Esqueceu que existe tanta coisa boa em se ter um relacionamento sério, que companhia é uma delícia em todas as estações. Ela acha que é melhor ser muito feliz sozinha de segunda a sábado e sofrer um pouco no domingo do que ter a incerteza que todo relacionamento proporciona a semana toda.
Eu? Eu discordo dela, porque isso é ser apenas meio feliz e eu prefiro a tristeza e felicidade cheio de incertezas, mesmo com medo, mas que seja por inteira. E no domingo, se for para sentir falta que seja de mais espaço no sofá.

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