A dura realidade de gostar de UMA música sertaneja

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Resistência, teu nome é Bianca.
Sabe aquelas pessoas que adoram odiar o que todo mundo ama? Ficou complexo, vamos ilustrar. Eu detesto os “50 tons de cinza” e o máximo que li sobre ele foi o título de cada uma das 3 capas. Lady Gaga apavora cada centímetro do meu tecido adiposo (e olha que tem bastante hein) e eu preferia que ela fosse embora pra Coreia (a mais “censuradora” das duas, de preferência). Quero destruir o rádio cada vez que toca Gangnam Style – quando fazem remix então, acho que é Deus vestido de música para testar a minha fé e tolerância. E por fim, entre tantas outras coisas que resisto e não consigo lembrar, eu REPUDIO a música sertaneja. Odeio, mesmo mesmo. Parece que entra pelos meus ouvidos e me arranha por dentro, como um gato enfurecido em um sofá.
E aí que Deus, esse grande piadista fanfarrão, me tirou pelos cabelos do Rio de Janeiro e me tacou no interior de São Paulo. Campinas, aquela que eu carinhosamente apelidei de “Roça” (tá gente, sem sermões de que a cidade está enorme e é um grande polo comercial e todo esse blablabla, é a minha roça particular, me deixa). E adivinhem? Tenho a impressão de que se o sertanejo para de tocar por aqui, a cidade para de funcionar. As luzes apagam, as pessoas entram em colapso, as empresas não fazem mais os seus trabalhos direito. Como se o detestável ritmo fabuloso fosse a manivela que impulsiona tudo. Olá, Murphy! Você por aqui?
Imagem: reprodução
E então cheguei por aqui aos meus 17 aninhos, flor da idade e do piriguetismo, que que eu ia fazer? Lógico que eu fui parar no saudoso Rodeio de Jaguariúna. E ó, já vou me desmascarar logo aqui: me diverti um bocado considerável.
Acontece que a música não me conquistou. Nunquinha. Quanto mais Jorges e Matheus foram surgindo, mais um pedaço de mim se desprendia e voltava flutuando ao Rio de Janeiro. Comecei a dar um valor absurdo pro samba e Mr. Catra invadiu meu âmago atingindo status de ídolo incontestável (#ironias, não me levem tão a sério). E é claro que vocês sabem o que acontece nesse momento né? Todos os seus amigos são apaixonados pelo admirável ritmo tenebroso do sertão (vale lembrar que não é aquele de raiz, mas o mais odiável de todos, o “universitário”). E o seu próprio irmão é fã do negócio e toca no violão dentro de sua querida residência. SOCORRO JESUS!!
Mas e se um dia uma dessas canções pega o seu coração de jeito? PAI AMADO DO CÉU, O QUE É ESTE SORRISO QUE ESTOU ABRINDO PARA ESTA CANÇÃO? Foi apavorante. Um dia, num passe de mágica, me tornei fã de “Evidências”.
Não seria algo totalmente novo, eu sempre tive um pé na cafonice. Minha primeira paixão platônica (depois de Axl Rose) foi Marcelo Augusto (uma subcelebridade aí da “Turma do Didi”) e eu curtia muito o cantor José Augusto, sei lá por que diabos. Não faz sentido que este último seja o autor da composição melódica que quebrou o gelo do meu coraçãozinho?
Imagem: reprodução
Então tá gente, me desfaço dos meus pudores e, principalmente, do meu orgulho, e confesso pra vocês que, hoje, “Evidências” está no meu Top 10 das músicas mais bonitas da vida. O que eu posso dizer? A música tem muito significado pra mim. Meus amigos de faculdade (aqueles que eu citei acima, os amantes do “Deus me livre”) tornaram a música um símbolo de nossa amizade, dos 4 anos de batalha jornalística, de todas as bebedeiras e fossas amorosas que compartilhamos juntos, até mesmo da nossa formatura, na presença de mais de mil convidados. Recentemente, uma dessas amigas casou. Começou uma nova vida. E na festa de casamento, da qual fui madrinha, lá estávamos nós, com microfones em punho, berrando a nossa música preferida. Era o nosso hino. E pra sempre será.
Essa confissão já resultou em chacotas, muitíssimas. Logo a Bianca, aquela resistente xiita, homenageando Chitãozinho e Xororó aos berros. Foi perturbador baixar minha guarda e deixar as Evidências entrarem na minha vida. Hoje é libertador, aliviante. EU AMO A MÚSICA EVIDÊNCIAS! Ufa.
Aprendi um lance óbvio, mas que não foi nada tarde para assimilar. A música ultrapassa as barreiras do ritmo e da letra. Os significados atribuídos às canções é que determinam o lugar delas no nosso coração. Eu tenho um sertanejo preferido, assim como também tenho um samba, um pagode, um forró, um funk, uma música eletrônica, diversos rocks e Backstreet Boys e até um reggae. Cada um com sua lembrança, cada melodia com um simbolismo particular. Toda uma vida saborosa com uma trilha sonora que beira o clichê de tão eclética, mas que significa, graças a Deus, que eu tô cheia de coisa MUITOboa pra lembrar.
Então é isso, obrigada por me deixarem desabafar. E pra você aí que tá adorando me ver tão vulnerável, fica o bônus: eu também curto muito a “Nuvem de Lágrimas”. Beijão!
Imagem: reprodução

3 Comentários

  1. Hallyson Diz

    Há uma nuvem de lágrimas sobre meus olhos
    Dizendo pra mim que você foi embora
    E que não demora meu pranto rolaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar

  2. Sonja Abreu Câmara Diz

    Adorei o texto Bianca, eu também “odeio”, ou melhor- acho muito forte essa palavra- não gosto de música sertaneja, ainda mais essa universitária, que teima em não sair da universidade. Mas você tá perdoada, ninguém é perfeito, rsrsr
    Amo sim a tua cidade, o Rio de Janeiro.
    Bjs

  3. Renatinha Diz

    Ainda digo mais: a letra de “Evidências” poderia ter sido escrita por você para ela mesma. Complicado né? Você vai aí, mantendo as aparência, e disfarçando as evidências, mas pra que viver fingindo, se você não pode enganar seu coração? VC AMA “EVIDÊNCIAS”

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