A ETERNA DANÇA

0

Leia ouvindo: Alabama Shakes – Future People

Antes de mais nada, é importante dizer que não sou um grande dançarino. Mesmo que na minha infância, por motivos que desconheço até hoje, minha mãe tenha me inscrito em um curso de dança na escola. Cheguei a me apresentar algumas vezes na casa de cultura da minha cidade. Dançávamos tango, jazz, hip hop, rock e outros estilos de dança que desconfio muito, que os aplausos eram mais pelo esforço da criançada do que pela precisão dos movimentos no palco. Precisão: guardem essa palavra.

Não estou aqui para falar sobre esses e nenhum outro estilo de dança. A dança que me refiro é uma dança que todos nós, conscientes ou não, dançamos diariamente: a dança da vida. E essa dança possui dois simples passos, no melhor estilo “um pra lá e um pra cá”.

Um desses passos, é o passo da alegria, da conquista, da felicidade. É quando nos apaixonamos, quando nosso time ganha, quando nos tornamos pais, quando somos reconhecidos pelo nosso trabalho, quando o dia está bonito, quando tudo está fluindo. Esse passo é incrível e muitos almejam intensamente a tal felicidade plena.

Já o outro passo, é o da tristeza, da frustração, da decepção e da dor. É quando a pessoa amada se afasta, quando nosso time perde, quando perdemos pessoas queridas para a morte, quando somos criticados pelo nosso trabalho, quando o dia está cinza e feio, quando tudo está travado. Ninguém almeja isso na vida, mas todos, uma hora ou outra, estão desse lado da dança. Afinal, pouco controle temos sobre.

O fato é que são passos interdependentes, ou seja, um precisa do outro para existir. Só percebemos a luz, por causa da escuridão. Só conhecemos o dia, por causa da noite. Só sentimos calor, porque também sentimos o frio. Só sabemos sorrir, porque um dia também tivemos que chorar e essa dualidade segue em tantos outros aspectos da nossa vida.

Mas se eu não posso evitar essa dança, o que posso fazer? Simples!

Na alegria aproveite, comemore, vibre e flua. Na tristeza silencie, sinta, aceite e siga em frente.

A alegria vem para ser celebrada. A dor vem como aprendizado. Esteja consciente que iremos transitar eternamente por ambas e, independentemente do passo que estivermos, o que se mantém inalterada é a nossa consciência sobre essa lei universal. Assim é, assim será! É essa dança de opostos que dará ritmo, harmonia e sentido a nossa jornada!

Já disse Fernando Pessoa, que “navegar é preciso, viver não é preciso” e há duas formas de interpretarmos essa frase: “preciso” de precisão ou “preciso” de precisar. Confiando na inteligência do autor, sei que ele falava sobre a não exatidão que é estar vivo. Viver exige uma grande capacidade de adaptação e de desapego.

Rubem Alves por sua vez afirmou, que “só chegou onde chegou porque todos os seus planos deram errados”. E convenhamos, há algo mais sem graça do que uma vida perfeitamente planejada, sendo que são as surpresas que a tornam mais interessante?

Seguimos nessa dança, de pé, em paz e conscientes de que essa jornada chamada vida, não é algo a ser compreendido e sim algo a ser vivido. De preferência na máxima potência possível.

Pois um dia estamos aqui, o outro, quem sabe?

Tiago Fiamenghi

Tiago Fiamenghi

Sou o que sou. Sonhador, idealista, realizador. Empreendo socialmente e acredito que pequenos gestos podem sim fazer uma grande diferença.
Tiago Fiamenghi

Últimos posts por Tiago Fiamenghi (exibir todos)

You might also like More from author

Leave A Reply

Your email address will not be published.