A música que calou a minha dor

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E toda vez que chego em casa, olho para aquela nossa fotografia na geladeira – aquela que você mesmo colocou lá – e desde então tem sido o seu lugar, eu sempre sorrio, sempre lembro com saudade daquela viagem em que brigamos, nos amamos e sorrimos tanto.

Por algum motivo não consigo me livrar da fotografia e nem das tantas lembranças. Por algum motivo eu não quero me livrar, mesmo que eu só tenha coragem de dizer isso a mim mesma. Sei lá, acho que de certa forma ela nos resume, ela é a parte de nós que eu não desejo que morra. Porque as coisas tem que acabar em raiva, rancor? Não aqui, não por você. Só porque acabou não quer dizer que não tenha valido à pena. Eu bem sei que você foi para não voltar, mas o que sinto passa longe de qualquer coisa que possa magoar – a mim ou a você. Penso no quanto nos fizemos felizes e sei que nada foi em vão. Sabia que há tempos já não choro mais por sua partida? Cessou no momento em que resolvi parar de ver nossa história pelo pior ângulo. Coloquei repetidamente aquela música do Bruno Mars que adorávamos cantar juntos, lembro de tantos detalhes – você todo desafinado cantando e pulando na minha sala – até que a última lágrima caiu. Sorri, e foi um sorriso cheio de saudade. Me refiz. Demorou um tempo, mas entendi, amor.

{ Imagem reprodução } 

O que houve foi bonito, intenso, verdadeiro e no fim me ensinou que partidas doem muito. Me ensinou que isso também faz de nós pessoas mais fortes. Partidas afloram o nosso pior ou melhor, depende apenas de decidirmos o que fazer com a dor. É sempre sobre; decidir, e só. A gente precisa entender que certas coisas foram mesmo feitas para ficarem lá atrás. Precisamos estar preparados para o novo sem pensar que para isso é preciso apagar o que já foi vivido. Seja inteligente; aprenda com cada experiência. Não é fraqueza sorrir olhando uma fotografia antiga, isso só prova o quanto ter esse passado é, no final das contas, tão bom!

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