A REAL FELICIDADE

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Leia ouvindo: Mat McHugh – Strange Day

É sempre bom encontrar palavras de aconchego em dias de crise existencial. Ter amigos dispostos à deixarem suas rotinas insanas por uma hora para ouvirem suas lamurias é realmente ser alguém de sorte. Sendo assim, sou uma garota de sorte.

Foi numa dessas crises existenciais – e muito choro, que o óbvio deu um tapa na minha cara. Por mais que leia livros que me transformaram, conviva com gente fantástica e bem nutrida de sabedoria, o óbvio se perde no dia a dia.

Não gosto de pensar em bons conselhos, gosto de pensar em alguns pontos de vistas. Ouvir é sempre melhor que reagir. E eu ouvi em auto e bom tom: “Juliana, a felicidade é algo que precisa vir da gente!”. (Logo eu, a senhora auto-conhecimento na terapia).

E por mais que a gente saiba do óbvio, não aplica o óbvio quando precisa. Vamos no piloto automático da projeção! É mais fácil, porque se a expedição fracassar temos a quem culpar – mesmo sabendo que a responsabilidade das nossas escolhas sejam só nossas.

Fotografia: Juliana Manzato

Quantas e quantas vezes jogamos o óbvio para de baixo do tapete e fazemos cara de samambaia para a responsabilidade de assumir que a nossa felicidade está em nossas mãos, no nosso dia a dia. Quando projetamos qualquer vestígio de felicidade em algo ou alguém, as chances de decepção e chateação são grandes. (Óh o óbvio de novo).

A reação do piloto automático vem por conta do nosso ego. O ego é aquele cara que fala demais, acha demais, reage demais. Tudo nele é demais, inclusive o piloto automático em situações de frustração. Antes mesmo de nos situarmos, o ego está ali, na gritaria diária do certo e do errado.

Tomar as rédeas nem sempre é fácil, mas uma vez com elas em mãos, segure firme. Isso não significa que você terá controle sobre o externo, mas ter controle sobre nós mesmos já é um feito e tanto.

Não é o que te faz feliz, mas como me sinto feliz.

Observar nossas sensações e quais cadeias de reações são despertadas, é mais um passo grande para encontrar o eixo da felicidade. E vale dizer que felicidade não é algo tão tangível como as pessoas pintam. É necessário um bocado de vontade e observação.

Limpar de baixo do tapete exige muita coragem e felicidade. Dar luz as sombras é despertar dentro de nós curas imensuráveis. Quando curamos o ego da sua mania de ser demais, aprendemos muito sobre a real felicidade.

Aquela bem genuína que acontece nos minutinhos de descuido do dia a dia. Aquela que é silenciada pelo ego e fica escondida de baixo do tapete. A felicidade tem que ser reconhecida dentro da gente, e nesse reconhecimento aprendemos com amorosidade a não preencher essa vivência divina com coisas e pessoas.

Quando a gente se basta, só vai trazer para perto quem também se bastar. Quando a gente se basta, o nosso desejo por coisas também é colocado a prova com a pergunta que não vai calar: – preciso mesmo disso?

Quando a gente se basta, a gente encontra com a felicidade e se surpreende com o tamanho da sua simplicidade.

Juliana Manzato

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras.Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Faz da vida poesia e textos. Muitos textos!Sonhos? Vive deles
Juliana Manzato

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