A REVOLUÇÃO DE SER QUEM SE É

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Leia ouvindo: Florence + The Machine – Hunger

Quilos a mais. Manchas na pele. Cabelos brancos. Pés de galinha. Passei dos 30 e ganhei, junto com experiência e uma filha, um monte de novas marcas que colaram em mim. Elas contam histórias de férias no sol, gravidez, novas preocupações. Cada “imperfeição” do meu corpo, antes da mídia ser criada, já foi tratada, um dia, como modificação fisiológica. E só. Mas, hoje, a sociedade insiste em dizer que estou feia. Passada. Mal cuidada. Fora do padrão.

Enquanto algumas pessoas morrem de fome ou sofrem com doenças, meu corpo saudável é duplamente massacrado. Por mim e minhas próprias exigências e pelas pessoas e suas próprias exigências. Sobre mim e minha imagem. Qual o sentido disso? Talvez faltasse pra gente a simples escolha de se alienar. Aquela história de que “quem não vai ao médico, não tem doença”, sabe? Também serve a máxima, que acabo de criar, que “quem não vê o padrão, não sabe que ele existe”.

Fotografia: Juliana Manzato

Espelho, espelho meu. Existe revolução mais radical do que a que preciso eu? Talvez, precise você também. E sua amiga. E a prima dela mais a namorada. Até mesmo seu pai ou sua mãe. Nós, que já acumulamos diversos quilômetros rodados e boletos pagos. Está fora de moda e atrasado sofrer pra se encaixar. Vamos colocar em alta a felicidade de ser quem se é. Mesmo que daqui a dois meses você seja quem é, mas com peso a menos na balança. Ou cremes a mais na cestinha do banheiro. Ou cabelos mais loiros ou negros.

Eu quero ser eu com 20 quilos a menos, e tudo bem. Eu sou livre pra querer o que eu quiser. Mas eu também quero estar confortável com “eu” em todo o processo. Enquanto for eu menos um, eu menos dois, eu menos dez. A essência permanece sendo a mesma, por que o corpo, que é só matéria, é o que define todo o conjunto? Então vamos lá, que o despertador pra realidade tocou faz tempo e você permaneceu dormindo, ativando a soneca pra tantos cinco minutinhos a mais.

Não sucumba à crueldade dos seus próprios pensamentos. Muito menos a possíveis olhares julgadores. Você não vai precisar de armadura, porque o que te protege de tudo é o coração. Coloque esse coração em bons lençóis e garanta conforto a ele. Prometa que não vai deixa-lo apertar quando a roupa apertar. Afrouxe o botão e a mente. Pessoas pesadas na balança se tornam mais leves quando deixam de subir nela. Saúde é o que interessa, porque a vida tem, sim, pressa. Passa rapidão.

Vale a pena gastá-la com a futilidade de um só padrão?

Bianca Carvalho

Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.
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