ADEUS, MEU CARO

0

Leia ouvindo: Alexi Murdoch – Wait 

– Desculpa!  

Foram as últimas palavras que você disse para mim. A desculpa era por ter encontrado outro alguém, por ter engatado um relacionamento sério – assim, do nada.

Eu estava perdendo além de tudo, o meu melhor amigo. Eu não podia acreditar que ali era o fim. Meu coração ainda tinha esperanças de que ele não iria conseguir se ver sem mim, que poderíamos viver nosso momento sem amarras e livres, mas o meu ego de mulher independente foi ferido por te ver acompanhado por outra que não era eu.

Eu precisei dele por tantos meses, me acostumei com a falta de inteligência emocional que ele apresentava e a forma como me tratava. Era impossível aplicar qualquer tipo de disciplina, o que me deixou meses a fio sem entender quem eu era e me causou uma confusão de sentimentos impossíveis de explicar.

O processo ainda está no início e vez ou outra vem um ódio mortal daquela presença. Parece cortar meus pulsos, parece um convite ao parapeito da janela, mas na verdade é só um convite para as lágrimas e crescimento para o próximo amor que está por vir.

Fotografia: Juliana Manzato

O peito está cheio e dolorido. O estômago dói por conta da gastrite nervosa atacada. Tudo isso por alguém que nunca foi meu, aliás, que nunca quis ser meu. Deixou claro das mais diversas formas, que tudo o que eu mais precisava fazer era ir. Ele me deixou, mas não da forma que eu esperava.

Era claro com as palavras, mas confuso com as atitudes. Se ainda me queria tanto, por qual motivo me ligou para decidir a cor das paredes da sala, as lâmpadas, o piso do banheiro? Por qual motivo me envolveu em cada detalhe?

Sinto falta daquele espaço que ajudei a construir, mas agora nada posso fazer além de passar de carro de tempos em tempos só com a finalidade de ouvir a voz – velha conhecida – da varanda.

Depressivo relato, eu sei, mas é uma necessidade do lado mais obscuro da minha alma, das minhas dissoluções. Um Adeus ao bom amigo que um dia eu tive.

Luiza Pellicani

Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.
Luiza Pellicani

Últimos posts por Luiza Pellicani (exibir todos)

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.