Aproveitei e mudei o caminho também

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Não era só o fato de ter pintado os cabelos de preto. Muito menos de ter renovado o guarda-roupa. Ela precisava de mais. Mudou os móveis da casa, a cor das paredes, reformou objetos, jogou cacos pela janela, deu embora livros antigos, colocou numa caixa as lembranças mais importantes e as velhas fotografias. Nada mais importava, tudo era diferente.

Mudou o caminho, a escolha e as renuncias. Sabia que aquilo era necessário, afinal, era preciso crescer. Cansou de olhar para trás e se culpar por tantos erros. Erros que viraram ensinamentos, e aprender naquele momento era preciso. A culpa? Jogou fora, não fazia mais parte daquela vida.

Ela não era mais a mesma, e nem precisa ser. Só continuou o que era realmente para continuar. Os olhos castanhos amendoados estavam ali, profundos, como sempre foram. Ela é de uma profundeza absurda. Adora se meter em abismos. Não tem medo de perder o fôlego. Ela é aquela gata, que tem 7 vidas, muito bem vividas.

{ Imagem reprodução } 

“Se joga”, seu principal lema. Não precisava dar a mão à ninguém, ela acreditava nela. Acreditava tanto que diante de tantas mudanças, mudou de caminho também. Não importava o quão bonito era o caminho, podia ter flores ou pedras, ela seguia adiante, sem olhar para atrás. Ela não tinha nada a perder.

Ela era especial, tinha bons guias como a coragem, os ventos que mudavam de direção e a liberdade de escolher, ficar ou seguir em frente. Tinha apego as velhas botas e a camisa de flanela xadrez, e era o suficiente. Não precisava de ninguém, apesar de muitos precisarem dela.

Ela aprendeu a se amar demais, a se respeitar demais. Ela achou o verdadeiro amor, aquele para vida toda, o amor próprio, a escolha própria, a vontade própria. Ela podia ter o que ela quisesse, porque o mundo estava aos seus pés e ela se tornou dona do próprio nariz. Nasceu com ela uma verdadeira e única história de amor.

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