ATÉ A PÁGINA DOIS

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Leia ouvindo: Fatima –  Caught in a lie 

Queria te convidar para tomar um vinho e falar verdades. Tratar com a nudez necessária um assunto que te muito interessa e eu, bem, conheço essa historia de perto.

Ele inicialmente vai vestir o personagem de super homem – com gosto, por que ele realmente acha que é. Claro que o super homem que estamos falando é bem moderno. Daqueles que abraçam o mix da vida na cidade e aos finais de semana correm para o meio do mato. Parece independente, decidido, empreendedor, viajador, com uma vida financeira resumida ao cartão de crédito preto, muito bem ostentado – claro! Ele até defende a igualdade de gênero e compartilha daqueles ideais que ganham likes nas redes sociais. Ele diz que gosta da simplicidade, mas não perde a oportunidade de ostentar algum bem que possui.

Num movimento de aprovação, apresenta suas ferramentas de maneira encantadora. Esperto que é, usa dessas e outras características para mostrar que ele dá conta da própria vida. Como deve imaginar, ele não dá conta é de porra nenhuma! E logo o “super” se torna apenas um homem.

Longe de esperar a perfeição apresentada por ele, mas aos poucos percebe-se que a terra firme era na verdade, areia movediça.

Haja terapia, minha amiga! Para ele e para você.

Fotografia: Juliana Manzato

E o problema não é como ele se apresenta, mas como você cria suas expectativas. Ele vai te apresentar um mundo tão interessante, que inicialmente, parece mesmo encantador, real e possível. Mas não se engane, em pouco tempo perceberá que ele tem mais problemas do que você mesma pode imaginar, e tudo bem. Quem não tem?

Mas o problema aqui é que ele não faz nada para melhorar, aliás, até faz, usa rotas de fuga ilícitas e demonstra suas inseguranças em situações que são milimetricamente criadas para te perturbar e diminuir. Você também percebe que a tão aclamada independência apresentada por ele tem um patrocinador oficial, os pais.

E longe de mim dar total importância ao dinheiro, mas convenhamos, é um assunto importante em qualquer relação.

Provavelmente quando você der conta de tudo isso já estará visivelmente envolvida em tantas historias incríveis que ele tem para contar, e claro, te incluir em algumas delas. Afinal de contas, o personagem que ele propôs vestir proporciona, entre tantas coisas, boas histórias.

Você vai se perguntar algumas vezes se aquilo tudo faz sentido. Se ele é mesmo aquele cara que você conheceu lá atrás. E diante de tantas dúvidas, vai entender que essa sensação de inferioridade e tristeza não faz parte da sua verdade.

Vai demorar um pouquinho, mas ele logo vai apresentar a verdadeira versão dele mesmo: vai assumir que você é mulher demais para ele e mesmo com o coração partido, você vai ter que concordar que é mesmo.

E eis aqui a página dois. Quando ele já não faz mais parte da sua vida e escolhas. Ele foi a ponte que faltava para te conectar com a sua verdade. Ele foi o cara errado para te ajudar a escolher um pouco mais certo agora. Ele foi o cara que parecia ser, mas que por livramento (ou seria livre arbítrio?), não foi.

E na pagina três, provavelmente você também vai querer convidá-la para tomar um vinho e dizer algumas verdades. Vai perceber que não passa de um loop, e que o problema não está em você ou nela, mas nas historias que ele conta.

Você não tem nada de errado. Pelo contrário, boas histórias começam depois de rascunhos ruins.

Um brinde.

Juliana Manzato

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras.Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Faz da vida poesia e textos. Muitos textos!Sonhos? Vive deles
Juliana Manzato

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