Bate papo com a TPM

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Todo mês eu encontro com ela e nossas conversas duram dias a fio. Ela sempre começa puxando assunto:

– Nossa, como você está feia hoje, hein? Está com cara de acabada…
Ela repete, repete, repete isso como um caminhão de gás. De primeira, eu ignoro, deixo ela falando sozinha, mas aquela vozinha irritante não sai da cabeça… Até que, sem paciência, eu respondo:
– Não, não estou feia… Acho que só escolhi a roupa errada hoje, não fiz maquiagem direito. Mas estou bem. Agora sai, porque preciso trabalhar.
Ela retruca como uma criança respondona:
– Roupa errada nada! Você tá é parecendo uma palhaça andando por aí desse jeito. Tá todo mundo reparando, haha.
Quando ela dá essa risada de deboche é o fim. Numa dessas, minha resistência foi para o saco e tudo que sobra é a sensação de estar andando com uma melancia no pescoço e de atrair todos os olhares de desdém pra mim. Vontade de me enfiar no primeiro buraco que aparecer.
Mas não para por aí. O segundo sinal de que ela está ali é o choro sem o menor sentido, por nenhum motivo e, quase sempre, em locais públicos É o ó! Mas quem se controla? É só ouvir uma música romântica, ver uma cena da novela de um casal apaixonado e lá vem ela de novo provocar:
– Você tá vendo só? Porque o seu namorado não faz uma declaração dessas para você, será que ele te ama mesmo ou será que está dando mole para aquela outra menina? Se eu fosse você ficava de olho bem aberto com ele viu!
– Magina, para com isso. É claro que ele me ama, você não sabe de nada! Outro dia ele…
– Ele o que? Te levou pra um lugar legal? E daí… o que adianta se ele não te escuta quando você precisa?
Pausa dramática para o choro sem fim.
Imagem: reprodução.
– É verdade, ele nunca me escuta quando eu preciso dele… 
Aí, pego o telefone (nota: não fazer isso bêbada ou de TPM) e é patada para tudo o que é lado. De repente, estou no meio de uma briga épica, sem nem saber onde começou ( e ele muito menos!). E enquanto isso, a danada tá ali escondidinha, rindo tipo “hihihi”, achando a maior graça.
Desligo o telefone, choro mais um bocado. No dia seguinte, tem mais picuinha aqui e ali…irritação com tudo e com todos. Brincadeiras comigo, nem pensar…eyes on fire pra quem se atrever. 
Chego em casa e penso na vida, em como tudo está difícil, não era assim que eu queria…tudo fica um tédio e nada me satisfaz, exceto fritura e chocolate (muito dos dois, acreditem!).
Ela sempre fica me dizendo “Come mesmo, come mais um pedacinho que não faz mal”. 
Aí, depois de comer enlouquecidamente e me sentir o peso da culpa, ela ainda vem me dizer “Realmente, não precisava de tanto…vai virar um colchão amarrado desse jeito!”. Vou dormir rezando pra ela ir embora de vez, porque nessa altura nem eu me aguento mais.
Só no sono ela dá uma trégua. E de mansinho, assim como ela veio, ela vai indo embora. Tudo parece que volta ao normal, a roupa encaixa, as olheiras somem, a compulsão por comida também. E volta o cão arrependido, com o rabo entre as pernas, pedindo desculpas pra quem aguentou uns dias de total instabilidade. O namorado volta a ser o melhor do mundo.
Sorte que a querida TPM passa. É bom lembrar que toda vez que ela vier, dias melhores estão por vir.

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