BEAUTY MAP | CONEXÃO

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Leia ouvindo: Tiago Iorc – My Girl 

Que dificuldade encarar o espelho sem fazer uma crítica se quer. Dificuldade maior é além de não criticar, silenciar, e tentar fazer as pazes para seguir adiante. É caso de divã, de doenças, distúrbios e destruição. Se evoluídos fossemos, veríamos o nosso corpo como templo, não como vitrine. Começo escrevendo o texto com todas essas palavras para que eu também me lembrar do templo ao invés da vitrine.

Ser uma pessoa exigente complica por demais as relações criadas ao longo da vida, isso inclui a relação com a gente mesmo e com o espelho. A cobrança maior nunca é com os outros, é com a gente mesmo. Quando deixamos de olhar nosso corpo como vitrine, deixamos para trás um bocado de opiniões desnecessárias e encaramos a nossa carne como verdade e templo, que obviamente sempre vai precisar de reparos, reformas, cuidados e carinho.

Qual é a definição de templo para você? A minha definição é de um lugar para amor, adoração, cuidado e conexão. São lugares sagrados, com alma e energia. Assim sendo, considero que nós somos templos também. O nosso corpo foi o lugar escolhido pela nossa alma para se conectar e vivenciar.

Quando olhamos no espelho e só nos reconhecemos com criticas, o templo perde a finalidade que lhe foi dada e dá espaço para vitrine, exposição. Perde-se a energia, a conexão, a alma, o amor e a conexão. Passamos a cultuar o padrão exterior de beleza, onde os outros ditam que tipo de corpo você deve ou não ter. O ego faz questão de ser mestre, mas nunca vai deixar de ser carrasco.

E porque eu estou falando tudo isso? Porque todas nós, mulheres, crescemos brigando com o nosso próprio templo. Queremos seguir padrões visuais impostos pelos outros ao invés de olharmos para o nosso corpo e ficarmos amiga dele.

Se seguiremos juntos pelo resto da vida, porque tanta treta?

Fotografia: Juliana Manzato

Se até agora houve estranhamento, que tal optar pela conexão? Quais são seus reais desejos e vontades? Quais são as melhorias ou reformas que o seu templo precisa ter? O que você exige dele e de você?

Comecei todos esses questionamentos depois da minha última sessão de terapia. Ficou muito clara a treta com o meu corpo e sabe, doeu pra caramba! Doeu o bastante para primeiramente entender que não existe lado de fora ou lado de dentro, existe o todo, e o todo precisa estar equilibrado e conectado para fluir. A consciência de nutrir o corpo, é a mesma para nutrir a alma.

Apelamos sempre para o belo, os olhos vêem e o coração se engana. Existe gente nutrindo o corpo e esquecendo que ali habita uma alma. O ego diz que beleza acaba, mas ele mesmo é implacável na busca pela fonte inesgotável do belo.

Eu costumo dizer que a beleza se transforma, e o maior exemplo são os templos que conhecemos, igrejas, templos budistas, mesquitas. Assim somos nós. Quando cuidamos do interno e do externo de maneira equilibrada deixamos que o fluxo natural da vida preserve a nossa beleza essencial.

Isso pouco tem a ver com o seu cabelo, o formato do seu nariz, o tamanho das suas coxas, as dobras da sua barriga, os quilos a mais que você tem, seus dentes, seus olhos, unhas ou qualquer parte do seu corpo. Quando entendemos a conexão entre o externo e o interno passamos a preservar o nosso templo, isso não significa necessariamente se aceitar e ser infeliz com o que vê. Significa iniciar uma mudança que vai acontecer dentro e também do lado de fora.

Dizem que bonito é se aceitar, e eu digo que bonito mesmo é se conhecer. Quando a gente se conhece, mudanças incríveis acontecem. Dentro para fora ou de fora para dentro, você escolhe. O que importa de verdade é você se tornar o agente de mudanças da própria vida, da própria beleza.

Juliana Manzato

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras.Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Faz da vida poesia e textos. Muitos textos!Sonhos? Vive deles
Juliana Manzato

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