Carência paterna: armadilha do coração!

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Vi meu pai partir quando ainda tinha 13 anos. Ploft, e lá se foi meu primeiro grande herói! Peço licença a quem não teve um sentimento assim na infância, mas o meu foi grande demais. Sua fala ríspida e seus gestos grosseiros se dissolviam na minha frente, e ainda que eu tenha assistido a algumas cenas de alguém que não tinha mesmo uma personalidade um tanto forte, ele era, daquele jeito dele, o meu grande porto seguro, quando eu ainda nem tinha muita noção do que isso podia significar.

A figura paterna exerce um poder maior sobre nós, meninas-mulheres-Mulheres. Não é muito fácil admitir, num momento em que a realidade da vida e as redes sociais clamam por um mundo menos machista e mais singelo, mas eu tô falando de cuidado, muito mais que de amor. Eu tô falando de colo, mais que de presentes. Eu tô falando de abraços, mais que de sexo. Tô falando de segurança, de costas largas e voz grossa, que a gente pode até disfarçar bem, mas que nos faz muita falta quando, sendo bem redundante mesmo, nos falta.

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[ Imagem: reprodução/Pinterest ]

Dias desses uma amiga me confessou que a sua carência paterna teria feito a mesma um tanto refém de uma paixão platônica por um cara que, aqui para nós, não exerce poder de sedução algum. Ela deveria ter identificado – inconscientemente – algumas semelhanças e, como num passe de mágicas, se viu enebriada por seus encantos (?). Fiquei bastante pensativa nas armadilhas que criamos para nós mesmas e nos algemamos. Deus nos livre, hoje e sempre, desses tropeços pelo caminho!

Se carência nos faz ver amor onde não existe, a carência paterna faz ver paixão onde não há a menor condição de existir, senhoras! Há um abismo entre diferença e distância, e quando ela envolve educação e caráter, não adianta se jogar porque a sua morte prematura é mais que certa! Sentimento bom agrega, preenche a vida e atola o peito de afeto. O resto é só inversão de sentimentos!

Manu Berbert

Manu Berbert

Baiana. Tom de voz alto, personalidade forte e palavras firmes. Observadora do mundo, das pessoas e dos seus comportamentos. Os olhos apontados para tudo, mas o dedo geralmente apontado para si mesmo.
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