DESCULPE PELO INCÔMODO

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Leia ouvindo: RUFUS – You were right

Eu não quis seu beijo, não quis queimar a pele, não quis seu toque. Mas aconteceu. O álcool, a música e suas mãos me envolveram de tal forma que a queimadura foi leve, saborosa e marcante.

Seu hálito quente próximo a minha boca me provocou arrepios e suspiros.

Me irritei quando foi embora como uma Cinderela ao dar meia noite e entre sorrisos e ódio quis te deletar da vida no segundo seguinte em que as pernas tremeram por conta do seu toque.

O ódio passou, a preocupação chegou e a promessa que nos veríamos de novo também.

Fotografia: Juliana Manzato

A troca de mensagens foi o ápice do dia. Não tinha reunião que não pudesse ser interrompida. Não tinha filme que não pudesse ser pausado. O bolo podia queimar no forno. Você era a prioridade.

A espera pela sua volta aos meus braços acachapou a alma. A felicidade começou horas antes e era impossível tirar o sorriso.

Deixei você invadir a minha alma, contei os segundo para conhecer sua casa, sentir seu cheiro, fazer parte da sua rotina.

Intensamente saboreei cada ligação, cada promessa, cada futuro desenhado como olhar as estrelas, sentir a brisa leve da manhã, aquela viagem para local incerto e indefinido.

Mas, a rua mais uma vez me chamou. O velho voltou como aquele sorriso maroto. Você sentiu falta daquela sua liberdade e maluquice. Quisemos outros abraços. Outras festas. Outra vodka. Outro wiskhy.

A nossa liberdade falou mais alto e nos vimos naquela estrada onde cada um vai para um canto.

Desculpa pelo incômodo. Por aquela mensagem insistente pedindo seu corpo por pura vaidade. Desculpa por querer você. Desculpa por não ser tão delicada, por não ser aquela mulher que talvez você queira. Desculpa pelo incômodo, mas vou voltar a não querer seu beijo, seu toque.

Desculpas, mas eu tenho que partir.

Luiza Pellicani

Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.
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