É COMO COMPRAR LIVRO PELA CAPA

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Leia ouvindo: The Black Keys – Tighten Up 

Vai por mim, é como comprar livro pela capa. Num primeiro momento parece interessante, mas no decorrer dos capítulos percebe-se que não é bem assim. Mal chegamos no meio e dá uma preguiça danada ler até o final. E muitas vezes, mesmo com preguiça, mesmo pensando “to aqui fazendo nada”, mesmo sabendo que é carência, a gente continua. O livro pode surpreende, mas na maioria das vezes a sensação é de receber sexo oral ruim. Um mix de “O que é que eu to fazendo aqui?” com “Como é que eu vou sair daqui?”.

Assim são aqueles caras que se mostram perfeitos na tática de aproximação e escrotos na continuação. Bote reparo, qualquer mínimo detalhe não pode passar desapercebido. Como são construídos os diálogos? Qual é o cuidado ao falar daqueles que convivem com ele? Quais são os programas escolhidos para curtir com os amigos? Quais são os cuidados que ele tem com você? Como ele se comporta quando estão juntos?

Tudo parece impecável até você começar a demonstração real de interesse. Que fique claro, ceder à um convite não é um real interesse. Estou falando daqueles pequenos planos para a próxima semana talvez. Uma ida ao cinema, um almoço no meio da semana, o print de algo visto no feed e enviado como “lembrei de você”, entre outras coisas. Sementes de expectativas plantadas quando se conhece alguém.

A tentativa de criar um vinculo mínimo com algum desses caras rasamente perfeitos é como comprar livro pela capa, receber sexo oral ruim, errar a rua e cair na avenida com mais transito, comer brigadeiro em plena segunda-feira, entre outras tantas coisas frustrantes.

Fotografia: Paulo Manzato Jr.

Por onde andam os caras verdadeiramente interessantes? Aqueles que não criam vínculos impecáveis, mas transformam qualquer contato mínimo em boas escapadas da realidade.

Por onde andam os caras que se encantam com uma vida crua? Aqueles que querem conhecer a rotina de cara lavada, camiseta e netflix. Ou até mesmo encarar uma reclamação de dia ruim.

Enquanto o amor se torna cada vez mais líquido, as relações estão cada vez mais cheias de glamour. Estamos comprando sincronia de fotos bonitas no instagram e indo dormir sem receber um simples “Boa noite”. Vítimas ou cúmplices, o que eu sei, é que está chato para caralho essa história de vínculos perfeitos para começar qualquer relação.

Os perfeitos vínculos se transformam em insistência barata. Ah, os murros em ponta de faca! Vivemos entre carência e ausência. O mercado das relações está de fato competitivo, são muitas vidas milimetricamente perfeitas tentando se encaixar feito quebra-cabeça. Depois do encaixe, a verdade. A beleza mora na imperfeição de uma vida normal.

Fala sério! Em tempos de relações glamurizadas, nada é mais bonito do que terminar o dia presa no transito, ligando para alguém que vai entender como ninguém o seu dia ruim e sua irritação voltando para casa.

Juliana Manzato

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras.Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Faz da vida poesia e textos. Muitos textos!Sonhos? Vive deles
Juliana Manzato

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