Escolhi minha moldura

0

Dizem que o cabelo é a moldura do rosto e eu concordo! Aliás, vou mais além, o cabelo reflete um estado de espírito, uma personalidade e um momento da vida. E se a vida sempre muda, por que devemos continuar sempre os mesmos?

Quando somos criança, é a mãe quem decide pelo corte. No meu caso, era o chanel reto – às vezes com pezinho – e franja reta. E eu detestava sempre aquela mesma moldura. Lembro que uma vez disse à cabeleireira que queria ser ruiva e fazer permanente para ter cabelos enrolados. Ela riu.

Naquele dia, mais uma vez saí do salão com o meu tradicional chanel (tigela) castanho.

Agora, decidida a não cair mais no tédio, quis mudar de novo. A vida deu tantas voltas desde que tinha dedicado anos no salão em busca do louro perfeito, que estava na hora de deixar na cara uma nova perspectiva. É mais ou menos como dizer “ei, não sou mais aquela menininha que você conheceu”.

Esperei até enjoar bastante daquela mesma cara que me cumprimentava todos os dias no espelho. Dei adeus aos longos fios iluminados depois de anos fazendo luzes, dei adeus àquilo que eu fui e que não me serve mais – assim como aquele tufo de cabelo que foi varrido quando caiu no chão.

Sim, doeu ver tudo aquilo que “conquistei” já desconectado de mim, assim como dói ter que deixar alguns planos que não deram certo para trás. Mas sei que o que vai crescer (dentro de mim) virá com muito mais força e brilho.

Imagem: reprodução.

Tão importante quanto o corte, a cor, a forma é que o interior da moldura esteja sempre com um sorriso para continuar a ser obra de arte.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.