EU NÃO AMO VOCÊ

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Leia ouvindo: Da Pawn – 3000 Días

Depois de muito pensar e de me ver dilacerando depois que me jogou de volta para a terra, constatei que tentei muito te amar, mas não amo você. Dei o meu melhor, tivemos nossas afinidades, mas amar é um sentimento vivido por dois e não um só. Para amar, precisa haver segurança e lealdade. Vai muito além de bons beijos dados, noites quentes e cafés da manhã preparados e servidos na cama.

Me doei por inteira, abri as portas do meu coração e você simplesmente não se importou com aquela emoção e sentimento. Sei que sou confusa para demonstrar tudo o que passa na minha mente, mas quem não é quando não se tem segurança?!

Naquela ligação inesperada da manhã tive que deixar ainda mais claro que não amo você – e ao que tudo indica, você também não. Seguiu sua vida sem grandes dificuldades, me disse que estava se conectando com outra alma e eu não tinha outra opção, a não ser te deixar partir. Tive que virar as costas e matar aquele sentimento que tentou brotar em minha alma, mas não foi nutrido pela sua.

Fotografia: Juliana Manzato

No meio de tanta confusão não me sobrou escolha, tive que procurar outros, e até antigos, amores uma solução quando as dores de tentar amar pareciam insuportáveis. Troquei uma confusão por outra, de colo quente e entendimento da minha alma maior que o seu entendimento.

Bati em sua porta de mansinho enquanto os melhores amigos me aconselhavam chutar a porta e gritar que eu queria ser só sua e queria que fosse apenas meu. Te quis como meu amigo quando tudo acabou, mas ouvir sua voz ainda me estremece por conta da necessidade de tolher um sentimento que faz parte da minha personalidade.

Não sei ser rascunho, não sei ser sínica, não sei ser menos.

Eu preciso de um abraço quente quando o trabalho bate à porta, quando a família está em um momento ambíguo, quando por um milésimo de segundo eu precisar morrer em lágrimas incompreensíveis. Eu preciso de um abraço, eu preciso de segurança emocional. Mas não posso ser tudo isso para você, se você não é nem o mínimo disso comigo.

Como pode me ver como um ombro amigo quando tem problemas de amores com outra pessoa enquanto eu apenas estou sentada na minha porta tentando não te amar?

Como eu posso ser sua amiga, quando tive que suprimir um amor que nascia e me dilacerava até que nada mais restava? Como eu posso ser sua amiga e conselheira quando te dei tudo o que tinha de melhor sem cobrar nada?

Eu não te amo por que não posso te amar. Enquanto você tenta se descobrir, eu já sei exatamente quem eu sou. E sabe? Eu sou aquele amor mais puro que alguém pode ser.

As noites não tem fim, pois minha mente confusa é primorosa em todos os detalhes. Reviso todas as nossas conversas e me apaixono por você novamente todas as noites antes de dormir, mas antes do último suspiro do dia, em forma de prece peço para não te amar.

Assim que acordo, meu primeiro pensamento é dar uma de Júlia Roberts, para bater na porta da sua casa e te lembrar: “eu sou apenas uma garota, pedindo a um garoto que a ame”. Depois preciso me lembrar que isso talvez nunca será possível e por mil vezes eu repito: “não, eu não amo você”.

Afinal, já diz o ditado popular, uma mentira dita mil vezes torna-se verdade. Por isso eu vou repetir quantas vezes for possível. Eu não amo você, meu coração pertence a outro. Meu coração pertence a mim! E talvez eu até possa vir a ferir seu ego como feriu o meu.

Eu quis amor, ganhei uma série de discursos de não quero amar.

E para não terminar esse texto de maneira tão ácida e rancorosa, talvez o trecho daquela música da Melim: “E quando não souber o que pedir, peça felicidade. Quando não souber o que doar, doe a sua metade. E depois vai sentir a energia e satisfação de ver nascer um novo dia”.

E quer saber, vou continuar doando a minha melhor metade até que um dia, ou minha alma se canse ou até que ela volte a poder te amar.

Luiza Pellicani

Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.
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