GOSTAR É TRANSBORDAR.

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Leia ouvindo: Panama – Always 

Eu me gosto. Calma. Deixa eu explicar, antes que você me ache um completo egocêntrico. Eu gosto da pessoa que acabei me tornando. Gosto do caminho que trilhei até agora, que me trouxe no momento presente em que aqui escrevo esse pequeno texto. Gosto mais de mim hoje, do que gostava de mim ontem e espero que goste mais do Tiago do amanhã, do que do Tiago de hoje.

Gosto de tudo aquilo que alcancei, fruto daquilo que plantei, cultivei e que hoje estou colhendo. Gosto da minha rede de amigos. Gosto dos meus familiares, não de todos, mas de uma boa parte deles. Gosto das escolhas que fiz, dos “nãos” que precisei dizer, gosto mais ainda daquilo que abri mão, deixando o meu caminho, ao menos até aqui, mais leve, divertido e alegre. Todo mundo gosta daquilo que lhe faz bem, certo? Mas foi preciso aprender a gostar também daquilo que dói, que machuca, que me tira o sono.

Gosto dos meus relacionamentos que não deram certo. Gosto dos (poucos) clientes que me passaram a perna. Gosto das pessoas que confiei, mas que me fizeram sofrer. Gosto das vezes que quebrei a cara, por causa de falsas expectativas que criei. Gosto de todos os erros que cometi. Alguns mais de uma vez. Gosto das bobagens que fiz, principalmente aquelas dos meus 18 e 19 anos. Gosto das dores que senti e dos medos que passei. Gosto daquilo que não gosto. Paradoxal? Depende. A dor é sempre algo ruim, que não gostamos, mas a dor é passageira. Ela cessa. Independentemente de quanto tempo leva, ela tende a terminar. Já o aprendizado dessa dor, esse é eterno. Por isso que, hoje, gosto de tudo aquilo que um dia me causou dor.

Dessa forma, é muito simples responder a pergunta “qual o tipo de pessoa que te atrai?”. Ora, simples, eu gosto de quem se gosta. Quando faço uma rápida análise dos meus relacionamentos mais próximos, dos meus elos fortes, vejo uma similaridade dentre todos eles: são pessoas que gostam de quem se tornaram. Que apreciam o simples fato de estarem vivas.

Fotografia: Juliana Manzato

Aliás, é possível gostar de alguém, quando não nos sentimos a vontade a gente mesmo? Gostar de alguém é deixar a “panela transbordar”. É gostar tanto da vida, da sua vida, que esse sentimento não cabe em um único indivíduo. É preciso compartilhar esse “excesso” com alguém.

Gostar da vida não é apenas gostar do lado bom. Aliás, cada vez mais acredito que não há lado bom ou lado ruim. Existe apenas um caminho e, nesse caminho, até o último dia, iremos transitar pelo bom e pelo ruim. No bom, celebro. No ruim, aprendo. E como dizemos aqui no sul: segue o baile!

E você: gosta de você?

Tiago Fiamenghi

Tiago Fiamenghi

Sou o que sou. Sonhador, idealista, realizador. Empreendo socialmente e acredito que pequenos gestos podem sim fazer uma grande diferença.
Tiago Fiamenghi

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