Leitura da Onça

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A matéria de história sempre foi a minha preferida no colégio e, em especial, a época da ditadura no Brasil. Difícil acreditar que tanta barbaridade aconteceu aqui, nessa pátria mãe gentil.

E pensar que teve um momento que não podia falar, nem escrever o que se pensava. Talvez este blog nem pudesse existir… (Bate na madeira mil vezes!!!). Mas, no meio dessa censura toda, estava Vladimir Herzog, jornalista que nasceu em Osijek e veio para o Brasil fugindo da 2° Guerra Mundial.

O livro “As duas guerras de Vlado Herzog” conta como, desde crianças, Vlado viveu perseguido, primeiro por ser judeu e, depois, no Brasil, por ser considerado subversivo e comunista.
Imagem: Arquivo pessoal.
Vladimir Herzog era jornalista, foi diretor do departamento de telejornalismo da TV Cultura, e por não agradar os militares com as notícias que publicava nos jornais, acabou sendo – mais uma vez – perseguido, capturado e torturado pelos agentes da repressão. Foi até a porta do DOI-CODI (onde aconteciam os “interrogatórios” durante o regime), porque acreditava que não tinha feito nada de errado e, portanto, não tinha o que temer. Tem que, no mínimo, ter peito pra fazer um negócio desses.

Virou um dos casos mais famosos de manipulação dos fatos nos porões da ditadura. Morreu depois das sessões de tortura, mas foi declarado como suicida. Obviamente (e o livro explica bem o porquê), essa versão não colou e é aí que o autor, também jornalista, Audálio Dantas, conta como foi a enorme – para o que era permitido na época – mobilização da categoria e de muitos outros setores do país, mostrando que de burro ninguém tinha nada. Todos sabiam dos absurdos que eram cometidos por baixo dos panos e resolveram não se calar.
Um livro emocionante, que é uma ótima dica de leitura para quem quer conhecer a vida de uma figura que foi perseguida, mas que, apesar das dificuldades, não fugiu de seus princípios. 

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