METAMORFOSE FEMININA

0

Leia ouvindo: Maria Gadú – Encontro

Quando chega aos 15 anos, a menina acha que já mudou bastante. Todo aquele lance de debutante, a menstruação provavelmente já desceu, o primeiro beijo provavelmente já aconteceu. Uma vida sexual pode estar começando a ser desenhada por desejos diferentes e estranhos. Aí ela chega aos 18, e agora sim, está mudada. Ela já pode dirigir, ir pra balada, é obrigada a escolher um governante, consegue beber loucamente no meio da rua. Entra na faculdade, escolhe a profissão e, finalmente, vira dona de si.

Quando batem os 20 e poucos vê que não era dona de nada, e a vida está finalmente começando a se desenrolar. Quanto boleto, quanta gordura pra queimar! É tratamento estético, academia, conta de celular e de psicóloga, satisfação pro chefe daqui, ligação pra mãe que tá lá. Tanto as obrigações lhe consomem que, quando piscou os olhos, ela chegou aos 30. E descobre que essa tal metamorfose ambulante não para, mesmo.

Entende que, mais satisfatório do que atingir picos de descobrimento, é finalmente aceitar que a gente não é dona de destino nenhum, e simplesmente começar a deixar rolar. Não posso falar muito sobre as fases da vida de um homem – eu nunca fui um, por mais que meu comportamento deixe dúvidas –, mas acredito que já tenha convicção suficiente para afirmar que ser mulher é uma eterna e constante mudança. Ano após ano, mês após mês, dia após dia.

Fotografia: Juliana Manzato

Um corte de cabelo novo parece que abre um portal para uma nova vida. Uma mudança no estilo de se vestir e parece que trocamos de palco para encenar uma nova “eu mesma”. É solteirice que te deixa frenética, é namoro que te deixa serena. Gravidez? Que loucura! Antes era só eu, agora somos nós. Novas unhas, sapatos, amores e temores. Sinto que a roda feminina gira em velocidade particularmente diferente. Mas pode ser deliciosa, não pode?

A beleza nisso tudo é aceitar que a vida não tem, mesmo, um script. Pode ser que alguns elementos já estejam escritos nas estrelas, mas o caminho que as coisas vão tomar será sempre uma incógnita. A minha ideia? Me permitir descobrir as novidades que o Cara lá de cima me reserva. E sugiro que seja assim para você também. Concordo que somos agentes de muitas das coisas que nos acontecem, e nossos esforços resultarão em benefícios maravilhosos para a nossa própria história. Mas sobre o que não temos controle… “Deixa estar, que o que for pra ser, vigora”.

Bianca Carvalho

Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.
Bianca Carvalho

Últimos posts por Bianca Carvalho (exibir todos)

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.