Morando Sozinha | Os primeiros dias na casa nova

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Leia ouvindo: Edward Sharpe and the Magnetic Zeros – Home

Ainda cheirava tinta fresca quando abri a porta. O chão era de cimento queimado, as paredes brancas e o eco ainda morava ali. Oi casa nova, muito prazer! Senti um frio na barriga em começar a minha mais nova história. Quais seriam as novidades que iriam dividir os dias que estavam por vir? Será mesmo que eu iria saber me virar sozinha?

Eu havia chegado primeiro que a minha mudança em si e posso dizer que foi o boas vindas mais mágico que recebi. Ali era eu, o eco e meu novo apartamento. Fui até a sacada, abrir a porta e deixar a vida entrar. O que antes parecia parado agora tinha vento.

É engraçado ficar parada aqui no meio da sala analisando as paredes, quantas histórias elas tinham para contar? Quantas histórias eu iria contar. Tudo que é novo dá medo. Sair da zona do nosso conforto traz dúvida. A partir de hoje seria eu, eu mesma e a minha casa.

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[ Imagem: reprodução ] 

Não ia ter comida na mesa se eu não cozinhasse. Não ia ter roupa limpa se eu não lavasse. Não ia ter um lar se eu não preenchesse aquele espaço vazio com amor. A vida deu um esfregão na minha cara. A real é que eu não teria nada se eu fosse buscar. Se eu não saísse do conforto de esperar cair no meu colo – coisa que nós sabemos, não iria acontecer.

Gera um certo trauma perceber que o sonho do mundo próprio se constrói sozinho. Trauma porque é a sua vida e apesar de ser melhor em dois, é preciso construir muito só. É preciso saber viver sozinho para ai sim, valorizar o que vem depois. E até mesmo dois.

Adaptação profunda e mágica. Acho que nunca me conheci tão bem morando sozinha. Meus horários, minhas regras, minha bagunça, minha organização. É meio egoísta, mas é tudo meu. Aprendi a lidar com o meu egoísmo no dia que me vi sozinha. Hora ou outra você vai precisar de ajuda, você obrigatoriamente deixa de ser o dono do mundo e aprende a pedir. É, morar sozinho também nos torna melhores.

Você passa a valorizar mais o tempo com os outros e a priorizar seu tempo só. A cozinha passa a ser a área da casa mais explorada, a sala a mais animada, o quarto o mais bagunçado e o banheiro o preferido. Nada se compara a paz de um banho tranquilo. Nada se compara a um banho animado, com a sua música preferida no volume máximo. Morar sozinho é ser livre e prisioneiro de si.

Depois que se mora só fica mais fácil delimitar espaços e estabelecer fronteiras. Dizem que pode beirar a loucura pois fala-se muito mais sozinho. Outros tantos ainda ficam em dúvida, será que é melhor mesmo deixar o conforto da casa dos pais para criar o próprio ninho? Digo com a certeza de quem aceitou esse nobre desafio, vá em frente.

Nada é mais bonito que a gente ter certeza que pode se virar sozinho. Seja lavando meias ou tentando fazer um ovo frito.

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Juliana Manzato

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras.Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Faz da vida poesia e textos. Muitos textos!Sonhos? Vive deles
Juliana Manzato

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