MOVIMENTE-SE | ESCALANDO

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Leia ouvindo: NoMBe – Freak like me

Altura. Eu sempre tive medo de altura. Desde a mudança significativa na minha área de atuação, meus medos decidiram aparecer com maior frequência. (Será que essa novata no conteúdo esportivo estaria encarando seus maiores medos no trabalho? Talvez!).

Foi num dos conteúdos para o ESPNW que surgiu a oportunidade de entrevistar – e escalar um paredão (!) – o Felipe Camargo, maior atleta de escalada desse pais e muito bem classificado no ranking mundial, obrigada! [ Você pode ler a matéria aqui ].

Desde então, me apaixonei pelo esporte e, apesar de praticar menos do que eu gostaria, todas as vezes que surge uma brecha na agenda, aproveito para praticar escalda, que para mim é o mais puro desafio e resistência. O medo de altura, nessa – irônica – altura do campeonato, acabou sendo superado a cada subida. O medo e outras coisinhas mais.

Fotografia: Juliana Manzato

A escalada é um esporte completo, trabalha corpo, mente e espírito de maneira singular. A adrenalina é o alimento principal, seja na subida ou na descida da parede. A superação, idem. Tem que deixar fluir. Deixa a intuição vir, ela sabe o que fazer. Instinto, aflore o seu. A escalada te ajuda nisso também.

Nesse mundo moderno e louco perdemos os nossos mais primitivos instintos. Estamos conectados a tudo, menos com o nosso lado mais verdadeiro, intuitivo e porque não, selvagem. A escalada, mesmo sendo indoor (nos ginásios), traz a tona todas essas sensações.

O instinto reaparece e te lembra como é fantástico sentir medo, e mesmo com medo, seguir adiante. É a sensação da saída da zona de conforto, de dor e prazer, de esforço, do corpo, da mente insistir em fazer perguntas do tipo: “que ideia foi essa de vir aqui?”, de querer desistir e subir mais um pouco. Sensação de confiar, no equipamento e em quem está fazendo a sua segurança, lá em baixo da parede.

O esporte como um todo proporciona o estado de meditação profunda, mas na escalada fica evidente, pelo menos para mim, que a mente é tagarela pra cacete! E consequentemente, meditação é fundamental.

A cada subida vem o questionamento: “vai continuar mesmo?”. Em cada frio na barriga vem a ideia da queda, as mãos estão suadas, parece que os pés não firmam direito, mas você continua. “Vai continuar mesmo?”. Vou.

E é com esse “vou” que você chega no topo da parede, e a partir dai, nada mais importa. Você conseguiu! Conseguiu superar seus medos e a sua mente tagarela. O que está correndo pelo seu corpo é a mais pura adrenalina, a sensação maravilhosa de estar mais viva do que nunca.

Talvez não te interesse sentir as sensações que descrevi, mas se você gosta de se desafiar experimente escalar. Sair da zona de conforto é sempre a melhor das sensações.

Juliana Manzato

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras.Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Faz da vida poesia e textos. Muitos textos!Sonhos? Vive deles
Juliana Manzato

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