MOVIMENTE-SE | MEIO DO MATO

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Leia ouvindo: Nuar – Devotion

Desde muito pequena fiz da aventura o meu maior refúgio. Por um período da minha vida – e carreira profissional – acabei me perdendo desse refúgio. Enquanto estive perdida, tudo parecia desconectado demais. Passei anos tentando me encaixar num padrão de vida que não era o meu. Tudo parecia surperficial demais para mim, que bem, gosto de profundidade.

Mas a superficialidade não é tão ruim assim. Foi por causa dela que tive o meu despertar. Eu tive que me desconectar de tudo para me encontrar. E desconectar significa deixar para trás tudo aquilo que já não fazia mais sentido. Trouxe comigo somente os aprendizados e referências, mas hoje, quando olho no espelho, vejo o tamanho da minha coragem em me despir e dar um mergulho mais profundo.

Me afastei de pessoas que amava, mudei de casa, cidade, amigos, carreira. Me descobri em paz em um lugar onde todo mundo diz encontrar o caos. E sabe? O avesso não é um lugar nada ruim. Não quando você consegue se abraçar e se perdoar.

Em meio ao caos, abraços apertados e muitas lágrimas, encontrei no esporte a conexão que faltava. No mais óbvio detalhe do meu cotidiano estava o convite para a minha transformação. Não foi só a mudança interna, uma dedicação maior ao Yoga e meditação. Foi a entrega ao todo.

Quando eu entendi que a até então, fuga, era na verdade um encontro, a conexão foi feita. A leveza chegou, os pensamentos mudaram e consequentemente eu mudei.

O convite para transformação aconteceu no meio do mato, numa trilha, durante uma viagem. A aventura, a adrenalina, todos os medos vindo a tona, a superação, a sensação de fazer parte do todo… as 4 horas de trilha só me colocaram frente a frente com aquela garota que fui na infância.

Fotografia: Stella Ditt para a Expedição Columbia Brasil 

E quando esses encontros acontecem é bonito demais. Transformam com profundidade. Em algum momento da minha vida eu havia deixado aquela garota perdida em alguma trilha e esse retorno me fez ver que apesar de perdida, ela havia transformado o abandono em refúgio. No banho, depois de ter chego daquela trilha, eu chorei.

Eu sabia que depois daquele dia eu não seria mais a mesma. Sabia que aquela trilha era só a primeira das muitas pontes que eu usaria para me conectar com o que realmente importava.

Aquela garota aventureira não era só refúgio, ela foi a minha salvação. Hoje, todas as vezes que vou para o meio do mato, me aventurar em trilhas, cachoeiras e afins, eu dou a mão para aquela mesma garota, abro um sorriso e digo: vamos!

E a cada “vamos” eu encontro mais sentido. O meio do mato é uma das tantas aventuras dessa garotinha que só cresceu no tamanho e na idade.

Vamos? Tem uma trilha logo ali. E lá vamos nós.

Juliana Manzato

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras.Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Faz da vida poesia e textos. Muitos textos!Sonhos? Vive deles
Juliana Manzato

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