Nonsense

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A gente não faz o menor sentido.
Separados, somos uma bagunça.
Dois seres humanos altamente complexos, cheios de ideias questionáveis sobre o amor, com medos infundados e covardes.
A gente se afasta como se isso fosse a solução para deixarmos de lado tantos embaraços e nós, e passássemos a, finalmente, fazer sentido.

A gente não faz o menor sentido.
Juntos, somos uma partícula positiva em um mundo caótico e descontrolado.
A gente se mescla e vira um objeto amoroso não identificado, a paz de espírito vira um estado abstrato, o mundo lá fora fica em silêncio, mas ao mesmo tempo vira trilha sonora.
A gente se encontra para deliberar um sentimento que só nós dois consideramos de insanidade, quando na verdade, juntos, nós finalmente fazemos sentido.

Imagem: reprodução

A gente se despede, e tudo o que aconteceu vira uma bituca de um cigarro tragado em um cinzeiro, um gelo derretendo aos poucos num copo de whisky, um chuveiro que pinga de 5 em 5 segundos, até que para. A gente para de pingar. Derrete. Vira cinza. Pra que, se no dia seguinte acendemos de novo o cigarro, enchemos o copo de gelo e whisky e ligamos o chuveiro? Tudo pra gente se amar com um insensato prazo de validade.

Sugiro que façamos um transplante bizarro e instalemos um coração no lugar de um cérebro exacerbadamente pensante. Sem mais ordens de um racionalismo anti-romance, sentimentos ordinários que dominarão os passos que a gente vai dar. Provavelmente, daí pra frente, juntos.

Essa ideia não faz o menor sentido, mas só assim, a gente passa a fazer sentido.

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