O MEU CORAÇÃO JÁ NÃO PULSA MAIS A GENTE

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Leia ouv​indo: Ray LaMontagne – This love is over

​“Quanto mais maduros, menos ofendidos ficamos! ”. Li por aí. Não compreendi bem, naquele momento.

Carregava no peito uma ofensa pessoal que gritava gradativamente. A cada dia, um pouquinho mais. E mais. Doeu muito. Doeu tanto, que adormeceu.

Eu sabia que a mágoa e as ofensas ao ego de uma mulher ressentida ainda estavam ali, ainda que eu não as vivenciasse mais. Disfarçaram-se em forma de reclusão, sorriso forçado e uma fuga imensa de um novo amor. A gente vai se excluindo da vida sem perceber. É mais fácil, afinal.

​Mas o tempo (ahhh, o tempo!) é mestre em curas e sábio em recomeços. Ele sabe que nós, definhados emocionalmente, tornamo-nos um tanto incapazes de impulsionar algo, alguém e a nós mesmos.

Daí ele vai lá, no fundo do poço, e nos pega no colo. Carinhosamente, que é para não assustar. Vagarosamente, que é para não amedrontar. Segura as nossas mãos com carinho, que é para somente amparar.

Fotografia: Juliana Manzato

É tudo individual. Os nossos achismos, as nossas querências, os nossos sentimentos. A dificuldade surge, talvez, no envolvimento. Na capacidade de se distanciar de tudo isso. Nas expectativas. Nas frustrações que elas nos trazem.

Ainda me recordo de alguns momentos e algumas sensações. Nenhuma saudade.

Eu já te perdoei. Já me perdoei. Perdão é acalento na alma e no coração. Ainda hoje recebi uma mensagem sua. Disfarço a minha indiferença com uma resposta qualquer. O que você vai fazer com tudo isso que ainda sente já não me incomoda mais. Não me pertence.

Meus olhos não brilham o que o coração não sente. O meu coração já não pulsa mais a gente…

Manu Berbert

Manu Berbert

Baiana. Tom de voz alto, personalidade forte e palavras firmes. Observadora do mundo, das pessoas e dos seus comportamentos. Os olhos apontados para tudo, mas o dedo geralmente apontado para si mesmo.
Manu Berbert

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