O tempo que nos muda e nos molda

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Já parou para pensar em quantas vezes nós estivemos exatamente aqui? E que toda vez é sempre a mesma coisa? Eu e você insistindo, a cada reencontro, que ainda levamos jeito para sermos um do outro. As discussões ainda são sobre as mesmas coisas, teu perfume continua o mesmo, minha paciência com teu lado mulherengo continua zero, continuamos sendo muito da mesma coisa e mesmo assim – hoje – sinto que nos falta algo. Notei uma mudança em nosso olhar, já não é mais o mesmo, talvez o jeito de nos olharmos com aquela nítida e escancarada paixão tenha se perdido em meio a tantas idas e vindas. Costumávamos deixar claro a todos a nossa volta como nos fazíamos felizes apenas nos olhando. Tua frase continua sendo a mesma ao fim das nossas brigas: “eu amo você”, mas o que mudou foi o efeito que ela deixou de causar em mim. Isso já não resolve mais nossos problemas e nem me arranca sorrisos na hora da raiva.


Aposto que você também já anda saturado de nós, disso que temos ou tínhamos, enfim.. do que restou. Falta admitirmos que já sentimos com muita força amor um pelo outro, que já fomos escandalosamente felizes juntos, que já nos deixamos e voltamos a ser um do outro inúmeras vezes porque não conseguíamos lidar com a falta que o outro fazia. Você prestou atenção nos verbos? Todos no passado. Eu não quero viver à sombra de tudo que fomos, isso não reflete mais no que andamos sendo. E cá entre nós, não é justo com nenhum de nós dois tentar manter algo que na verdade não existe mais. A gente se perdeu um do outro há algum tempo, eu só não queria assumir, talvez porque teu perfume continue o mesmo e eu gosto tanto dele, ou porque eu ainda adoro o som da tua risada, o hálito com cheiro e gosto de hortelã e de como você fala o tempo todo do meu sotaque tão diferente do teu.


{ Imagem reprodução } 

Tem muita coisa em você que me fará falta, mas não posso continuar insistindo em algo que por vezes me faz ser apenas o que fui e esquecer em quem me tornei. Eu gosto muito de quem sou para que você me faça querer ser só quem já fui. Admita que já não faço mais o seu tipo, que falo palavrão e mando você calar a boca. Você odeia tudo isso. Essa sou eu agora. Estou diferente de quando tudo isso começou – acho natural. Sejamos sensatos e maduros, o meu eu de hoje não combina mais com o teu eu de sempre.

Vamos nos deixar ir, e quem sabe daqui a um tempo o teu eu aprenda a gostar do meu e o meu se entenda com o teu, mas isso é futuro. Por enquanto estamos em lados opostos, e eu não estou infeliz com isso. Espero que você também não. Vou guardar o que fomos, lembrarei com felicidade dos nossos momentos, mas não vou viver disso. Vou viver do meu presente, e do meu eu que não cabe mais dentro do teu.




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