O x da questão

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por Natália Mota 

Eu sempre detestei matemática. Não me dou bem com números, equações e teoremas. Eu sei, eu sei que é importante… Mas minha relação com essa ciência é como duas retas paralelas: não vamos nos cruzar. Pelo menos foi isso que aprendi.
Imagem: reprodução
O problema é que acabei a escola, mas, às vezes, tenho a sensação de nunca ter saído da sala de aula. Sinto que estou em uma eterna aula de matemática – daquelas bem entediantes – em que, entre um bocejo e outro, olho para os lados e só vejo números, contas e pessoas afobadas em subtrair uma boa saída com os amigos para somar mais dinheiro no bolso.
Quanto você ganha? Em quanto tempo você me entrega o pedido? Quantos caras você ficou? Quantas vezes ele te ligou? É como eu ouvi uma vez… Parece que somos filhos do sistema cartesiano.
E nesse plano cartesiano estão projetadas nossas relações, nossa afetividade. Só se oferece alguma coisa se se tem certeza de uma recompensa maior, porque o resultado não pode ser negativo. É se preocupar em cada vez mais somar amigos nas redes sociais e se gabar de disso, é ouvir a angústia do outro e pensar “agora não dá tempo”.
Quem foge dos cálculos como eu – em todos os sentidos – escolhe seguir o coração sempre. E não, não é fácil. Há erros e acertos, como em qualquer escolha, mas o alívio de ser humano é gratificante.
Por mais que o coração nos faça mergulhar mais em fantasia do que raciocínio, mais em emoções do que soluções, e mesmo que nisso tudo a gente se perca, só o que sentimos revela nossa essência: o grande “x” da questão. Para mim, a conta é simples.

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