Olha só

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Leia ouvindo: Your Body Is a Wonderland – John Mayer (Boyce Avenue Cover)

Olha só pra mim, deitado no sofá da sala. Já desisti de tentar entender o filme que você escolheu. Parece que você também. Você dormiu sorrindo, não sei se da piada do filme ou se da minha luta pro meu abraço ficar o mais confortável possível pra você. Já faz um tempo que algumas coisas que não fazem sentido pra você, começaram a não fazer sentido pra mim. Imagina um pobre filme. Sem que a gente se cobre, cada um retoca um pouco o outro. Eu era um bando de pontilhados, você veio e me preencheu. Olha só pra mim. Olha pra poder comentar com as amigas o quanto tem alguém que fica feliz, só pelo fato de poder te ter por perto. Que você me arranca sorrisos até dormindo. Olha só pra mim, eu desaprendi a me ver sem você. Eu que sempre preguei aos quatro ventos que nunca deixaria ninguém atrapalhando minhas paisagens, arrumei alguém que pegou pela mãe e resolveu contemplar tudo isso junto comigo. Olha só pra mim, te olho tanto que já te considero minha melhor paisagem.

Olha pra esse menino que tá leve por dentro. Que se alimenta todo dia desse amor. Desse tal de amor. Desse teu amor. Ô Senhor. Olha pra mim, por favor. Que tento não me emocionar pra não sentir outra vez aquela dor. Que de tão afiada e amarga, tanto me assustou. E ela com esse jeitinho princesa da cidade apagou. Calou e cegou. Quando a gente perde o medo do nosso maior medo, tem outro nome que não seja amor?

Jorge

[ Imagem: reprodução ] 

Olha só pra mim, que já cansei de me perder nesse caminho que todo mundo já passou. Mas nunca desisti de tentar começar ele outra vez. Já tomei choque dessa tomada, mas ainda não cansei de passar o dedo. Arrisco. Sempre. Uma hora eu aprendo ou então eu me acostumo. Cada tentativa tem durado mais. Da última vez eu quase cheguei no “pra sempre”. Talvez não tenha chego por achar que a hora certa era agora.

Olha só como você combina comigo. Como nossas mãos encaixam naturalmente. Como a gente encaixa tão natural. Teus olhos combinam com os dos filhos que eu imagino, teu rosto também se parece muito com o que eu sonho com quem eles vão chamar de mãe. Cego, surdo e bobo eu me olho e peço pra me olharem. Pra entenderem só um pouquinho de como é bom perder a noção do tempo e espaço. Sentar no colo do destino e deixar todos os sentimentos mais sensíveis.

Olhá só pra mim, perdidinho e apaixonado por você.

Olha só (suspiros) pra mim, te amando.

Olha.

2015_Jorge Pedreira

Jorge Pedreira

Jorge Pedreira

Dois pra lá. Óculos, ruivas e drinks. Dois pra cá. Livros, cinema e futebol. Um passo para trás, falar de amor é moda, volta girando. Rimos muito. Mal me conhece e já dançamos.
Jorge Pedreira

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