Onde está a motivação?

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Leia ouvindo: Young and Able – Current Swell

Cansaço, falta de vontade, acúmulo de tarefas, procrastinação, estresse. Chegamos em um ponto do ano em que o comum é reclamar. É responder o questionamento “E aí, tudo bem?”, com um cansado, e em tom de desabafo, “tudo indo…”. De fato estamos entrando em um período do ano onde esse sentimento se torna mais forte. Mas será que esse cansaço é apenas físico? Quais são os fatores do nosso cotidiano que são capazes de drenar a nossa energia, a nossa vitalidade, a nossa vontade?

Há tempos passei a me preocupar e estudar mais a respeito de questões substanciais do ser humano. Por um lado, estamos em uma era de grande e acelerada (re)volução digital e tecnológica. Aliás, avançamos nesses quesitos mais nos últimos 50 anos do que toda a história da nossa conhecida existência. Voamos no clicar de um mouse. Atravessamos o planeta em um deslizar de dedos. Dizemos “eu te amo” com dois cliques em uma imagem. Enfim, é inegável que vivemos em um momento ímpar da nossa história. Mas ao mesmo tempo, questões como quem sou, qual o sentido dessa bagunça toda, para onde vou e outros tantos questionamentos filosóficos, continuam permeando os nossos pensamentos. Afinal, como manter o prumo em um mundo líquido e efêmero como o qual vivemos?

Obviamente não existe uma resposta contemplativa a todos. O que funciona para um, pode não funcionar para outro. Para alguns existe sentido em dedicar uma vida a uma única causa, para outros essa causa muda a medida que a vida avança, mas para a grande maioria essa causa ainda é uma incógnita. Uma caixa preta interior que sequer sabem que existe. E aí entramos em um ponto já muito questionado e abordado atualmente: qual o meu propósito de vida?

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[ Imagem: reprodução | Pinterest: Cotidiano Dela ]

Vivemos em um tempo e em um momento tão único, tão novo e tão nebuloso, que poucos são aqueles que se arriscam a dizer, com propriedade, qual o propósito de uma vida. Alguns, ao encontrarem os seus, tentam ajudar outras pessoas a se (re)conectarem com os seus propósitos. Funciona para alguns, para outros nem tanto. Mas o exercício de busca por um sentido é válido. Aliás, muito válido. Mas não se enganem. Geralmente é um processo com início, meio, mas sem fim. Essa busca é eterna. A medida que mergulhamos para dentro, vemos quão profundo somos e que, na medida que o mergulho se torna mais intenso, novas questões vão surgindo. Muitos na não clareza e na não certeza de seus propósitos, acabam paralisando. Não agindo. Afinal, como vou caminhar se não sei para onde estou indo? Bom, aí vem um novo e recente ensinamento que recebi: inicie a caminhada, mesmo sem essas respostas, que é mais provável que você encontre o sentido da jornada no caminho. É nesse caminho que irão surgir as provações, novos questionamentos, dificuldades e insights que não apareceriam caso você estivesse em paralisia. Na inércia.

Com essa busca cada vez mais em alta, surge naturalmente uma onda de gurus, literatura de auto ajuda e palestrantes motivacionais. Confesso que já experimentei um pouco de tudo (ainda experimento as vezes). Muitas vezes, em momentos de baixa vitalidade, buscava no externo uma motivação para agir. Acho válido dizer que não sou contra essas ferramentas. Podem servir de gatilho para que a gente inicie um curso de ação em prol de uma vida mais íntegra, mais contemplativa, com mais sentido. Mas discordo de quem acredita que a motivação é algo que acontece de fora para dentro. Como diz Cortella, a motivação é uma porta que só abre pelo lado de dentro. Então acho mais correto dizer que todos esses estímulos externos servem de incentivo para que a gente comece a busca pela chave dessa porta. Entendem? O motivo da ação (motivação), é seu e somente seu. Quando agimos tentados pelo externo, acabam agindo por motivos que nem sempre são aqueles que estão vibrando dentro de nós. Busque fatos, informações, livros, etc.. que incentivem você a agir. Mas não busque por motivação. Os motivos já estão aí, basta acessá-los.

INCENTIVOS >> AÇÃO >> MOTIVAÇÃO

Eu acredito que, ter acesso a essa essência, que todos nós possuímos, afinal nascemos com essa força, é a única maneira de construir uma jornada mais interessante. Não para o externo, mas para você mesmo. Temos um papel nesse grande ecossistema. Seja ele qual for, é um papel que só a gente pode desempenhar. São os nossos motivos.

Na dúvida de quais são os seus motivos, aja! A motivação é resultado da ação. E não ao contrário.

Tiago Fiamenghi

Tiago Fiamenghi

Sou o que sou. Sonhador, idealista, realizador. Empreendo socialmente e acredito que pequenos gestos podem sim fazer uma grande diferença.
Tiago Fiamenghi

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