Ovelha Negra

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Decidi dar a mão para Rita Lee de vez.
Sombra e água fresca nunca foi bom para mim. Eu gosto mesmo é do sol, na verdade da eterna busca do meu lugar ao sol.

Sou filha de pais que nunca passaram a mão na cabeça, que trabalharam para me dar o melhor que eles poderam, que se foderam financeiramente e se reergueram, que me ajudaram a ir atrás do meu sonho, que cuidaram de mim e me jogaram para fora do ninho logo que eu quis voar. E hoje, eu não sei como posso agradecê-los.

Ser ovelha negra não é fácil. Ir contra a corrente, se destacar da multidão, gostar de desafios, subir a montanha pela parte mais difícil, correr atrás daquilo que se quer, dar de cara com prejuízos – financeiros e emocionais, criar oportunidades e agarrar cada uma delas, gostar do quê é mais complicado e sabe do pior? Gostar mais ainda de levar uma vida dessas.

Tem gente que curte calmaria, eu já me jogo no mar, em plena tempestade. Só os loucos sabem e fazem isso, e digo mais, se jogariam junto, porque de santos e loucos, todo mundo tem um pouco.

{ Imagem reprodução } 

Ovelha negra, rouca, louca, mas nunca pouca. O céu nunca foi o limite e o mar nunca foi tão profundo. Gosto de raridades, não “rasidades”. Gente rasa me irrita, falta de loucura também.

Se é para fazer, faz direito. Se é para viver, se joga direito.
Porque no final desse filme a gente morre, e descobre que a gente nem riu o tanto que gostaria, nem se divertiu do jeito que queria, nem amou como devia e nem foi louco o tanto que podia.

Mil vezes ovelha negra que ovelha comum.
Contar carneirinhos nunca foi suficiente para quem tem insônia.
Sombra e água fresca nunca vai ser a escolha de quem gosta de tomar sol.

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