#OVERÃOINSPIRA | ESTRANHA CALMARIA

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Leia ouvindo:  Liu – Coastline 

Deitada a beira mar – diga-se de passagem, um dos meus lugares preferidos do mundo – me veio um sentimento esquisito. Um sensação estranha de plena calmaria, afinal, tudo estava indo bem demais.

É estranho assumir, mas parece mesmo que a gente curti um caos. Deve ser porque nos ensinaram assim. Como é aquela frase mesmo? No final tudo vai dar certo? Por que no final precisa dar certo? Será mesmo que é no final de um ciclo que finalmente devemos assumir que tudo está melhor do que imaginamos e que agora que a tão sonhado calmaria se faz presente é melhor esperar pelo caos?

Me parece pouco coerente funcionar assim, mas quem disse que nesse mundo tão louco a gente quer abraçar a coerência? A gente amarra o bode no caos e fica por lá, reclamando e ruminando. Se tá caótico demais a gente reclama, se tá calmo, advinha só, a gente reclama também.

Reclamando nos colocamos no papel de vitima para quem ouve, e assim ganhamos do ouvinte atenção. Somos carentes demais para lidar com a calmaria. O silencio incomoda demais quem cresceu no meio da gritaria. Oh, céus!

Gente feliz não enche o saco, mas depois de um tempo procura pêlo em ovo para chamar atenção. “Tô feliz demais aqui, deixa eu procurar algo que me deixa triste” . E assim, nasce na carência o caos.

Se analisarmos nos mínimos detalhes, perceberemos que a perfeição e a reclamação estão há milhas e milhas distantes de nós. Deveríamos ser gratos a todos os grandes ou pequenos problemas que aparecem em sinal de evolução.

Deveríamos entender que está tudo bem, na paz ou no caos.

Fotografia: Juliana Manzato

A felicidade mora nos descuidos cotidianos. Você nem deve perceber, mas é mais rico e feliz do que imagina. A paz é algo que almejamos tanto que quando finalmente alcançamos, inevitalmente entramos em estado de alerta. Tudo se torna motivo para alarmes e sirenes soarem e despertarem o caos.

Talvez não seja só a inveja que desperte ao menor barulho de felicidade, o nosso próprio caos também é do sono leve.

Ali na beira do mar eu entendi que viver em estado de alerta ou em paz dá o mesmo trabalho. E escolher entre as duas, me faz escolher mil vezes viver em paz.

É sempre melhor dormir para descansar, e se acordar, que seja com barulho de festa e bom humor para aproveitar. O estado de alerta nos deixa muito mais superficiais, confusos e mal humorados.

Quem ai curte de verdade a festa sem disposição? Deixe estar.

Juliana Manzato

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras.Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Faz da vida poesia e textos. Muitos textos!Sonhos? Vive deles
Juliana Manzato

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