Perdoa o drama

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Reclamo da falta de roupa, da falta de carinho, de estar gorda e choro. Choro muito por coisas bobas e mais ainda por coisas intensas. Chorei pelos dois dedos que cortei da franja, chorei também pelos dois dedos de uísque derramado. Você me pergunta porque tanto chororô, tanta sensibilidade e eu não sei responder. Talvez Vênus respondesse, “É mulher”. E eu já acho que essa seria uma boa resposta.   

Imagem: reprodução 
Na real, o drama é uma arma tão poderosa quanto o batom vermelho ou aquele vestido de fenda. Mas chega de arma, coloque os dramas para fora. Mulher é dramática, assuma. Quebrou uma unha, caiu o mundo. Errou no delineador, tira toda a maquiagem e começa de novo. O que você quer? Não sei, só sei que eu quero agora. Dramática e mandona, pode? E no facebook, então? Drama do começo ao fim. Reclama todo dia ao invés de sorrir.

Perdoa o drama, não é fácil ter que lidar com tudo, de cortes de cabelo errados à chefe chato. Ser mulher e difícil e não é papinho. Depilação dói, sofrer por amor também. Cortar franja é igual pegar ex namorado, você sempre acaba se arrependendo (Beijos pra Fran que escreveu verdades sobre esse assunto). Ter um guarda-roupa abarrotado de nada – NADA PRA VESTIR – é de chorar. Ser trocada na semana da TPM pelo futebol com os amigos é de chorar o dobro, ou triplo. TPM é um porre, não conseguir controlar os hormônios também. Entende o drama?

Tava falando do drama e lembrei da bipolaridade. Quem nunca foi bipolar uma vez na vida? Quero loiro californiano, agora quero moreno. Quero praia, agora quero montanha. Quero unhas vermelhas, agora quero rosa. Quero vestido, agora quero calça. Quero aquele, agora quero o outro… ops, peralá, brincar com o sentimento dos outros não vale.

E assim é a vida de uma mulher. Daí ela cansa, joga tudo pro alto e tem o trabalho de pegar tudo do chão, porque no fundo o drama é o charme, bipolaridade faz parte e se amar – com tanta instabilidade num corpitcho só – é uma arte.

4 Comentários

    1. Juliana Manzato Diz

      Oi Viviane,

      Fico feliz que tenha gostado, obrigada pelo comentário 🙂

      Beijos

  1. Ana Diz

    O texto começou bem. Mas aí bateu num senso comum que me corrói a alma toda vez que leio (e tenho lido muito).

    Bipolaridade não faz parte de se amar. Não entendo essa “modinha” de se declarar bipolar. Bipolaridade não é característica de personalidade, é uma doença, que alterna euforia com depressão. Pessoas sofrem com a doença e passam a vida inteira se tratando. Para elas, não é divertido ou fofo ser bipolar.

    Ser indecisa é outra coisa.

    1. Juliana Manzato Diz

      Oi Ana, tudo bem?

      Primeiro de tudo, obrigada pelo comentário e por expressar a sua opinião. Geralmente os comentários que respondo aqui são de acordo com o que escrevo e acho que levantar questões como essa que você levantou é muito importante.

      Bipolaridade é uma doença sim, que precisa de tratamento e concordo, é super complicado de lidar com uma pessoa desse jeito. Graças a Deus tem tratamento! A questão da bipolaridade que eu quis dizer foi no sentindo de indecisão, de querer muitas coisas – de maneiras extremas – em um período curto de tempo. Todo mundo é um pouco indeciso e bipolar, infelizmente! E nós mulheres, então? Vamos de um extremo ao outro em questão de segundos.

      Peço desculpas se te ofendi ou mesmo coloquei de maneira inadequada a questão da bipolaridade. As vezes a gente escreve de uma maneira e quer dizer de outra e cada um dos leitores interpreta da maneira que achar melhor para ele, que não necessariamente é a que a gente quis dizer.

      Novamente agradeço o comentário e a troca de opinião!

      Beijos

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