#QUASE30 | PRAZERES PASSAGEIROS

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Leia ouvindo: The Brinks – Temporary Love 

Acostume-se, essa inconstância não irá sanar. Primeiro porque vivemos um estado de impermanência onde todos os prazeres são passageiros e o desapego parece correr em nossas veias.

O mundo não era assim, eu sei, mas agora é, e apesar de ter o poder de mudar nossa realidade, na própria realidade mora o prazer passageiro e a felicidade em suas mais diversas projeções. Existe uma certa resistência em relação a ambos e vamos afirmar aos quatro cantos que “Imagina, comigo não!”.

Um suspiro. Não podemos negar, somos a geração do imediato, apesar das crises de ansiedade e os remédios tarja preta. O prazer é a fuga, por isso a passagem é rápida. A conquista pela carreira dos sonhos, um relacionamento, jantar, festa, casamento, um carro novo, aquela bolsa que você queria há tempos e até mesmo comer um brigadeiro.

Fotografia: Paulo Manzato Jr.

Quando finalmente conseguimos aquilo que tanto desejamos atingimos o ápice do prazer. O pós dessa conquista é o problema. É uma ressaca tremenda porque não aproveitamos de verdade o gostinho da conquista. Mal cruzamos a linha de chegada e já estamos pensando na próxima corrida ao ouro.

A felicidade, pobre coitada, entrou nesse balaio de prazer e deixou de ser o verdadeiro caminho. Sempre nos fizeram acreditar que ser feliz é algo muito parecido com o encontrar o pote de ouro, mas pense bem, o que fazemos com o pote de ouro depois?

Talvez você também tenha ficado sem resposta, e o motivo desse texto é justamente esse, o que fazer com o vazio que fica depois que o prazer vai embora e a rotina se instala?

A nossa programação mental sempre foi para essa busca eterna. Uma busca que não ensina, apenas direciona e parece dizer algo como “se vira ai”.

Ao invés de nos programarmos para viver o prazer cotidiano, projetamos todas as sensações para serem vividas em um momento determinado. É como se comprássemos passagens de trem, e em momento algum olhássemos pela janela para aproveitar a paisagem, já que o objetivo final é a estação x.

Se até agora vivemos inconscientes de tal programação mental, talvez seja hora de despertamos para aproveitar a caminhada até o pote de ouro ao invés de só viver o prazer passageiro do encontro.

Se até aqui vivemos de imediatismo, prazeres passageiros e fugas, o marco da – quase – nova idade deveria ser observar, vivenciar e abraçar o caminho como um todo. Justamente para um crescimento e conexão consigo mesmo, e arrisco dizer, uma melhora significativa na relação com o outro.

O despertar para paisagem é bonito, que tal cutucar quem está sentado ai do lado para fazer o mesmo? O prazer do agora é menos intenso, mas não menos bonito do que o prazer projetado no objetivo final.

Juliana Manzato

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras.Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Faz da vida poesia e textos. Muitos textos!Sonhos? Vive deles
Juliana Manzato

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