RECALCULANDO ROTAS

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Leia ouvindo: Mapei – Don’t Wait 

O primeiro dia do resto inteirinho de nossas vidas começa hoje. Eu desconfio que o meu organismo sempre soube disso, quando pequenas rugas de preocupação começam a enfeitar meu rosto. A vida está passando bem diante dos nossos olhos, o tempo não perdoa e a sedução da prosperidade, faz com que o nosso agora seja mesmo pouco demais. De fato, o nosso agora é tudo o que temos.

A saga hollywodiana de buscar por dias ainda melhores, pelo futuro perfeito, pelo pote de ouro no final do arco-íris venda meus olhos e eu, como em um filme francês em preto e branco, me sinto muda. Minhas vontades reais, meus sonhos verdadeiros, calados por um turbilhão de sons que não cantam a minha história. Nem do passado, e Deus me livre que fosse do futuro. O tempo passa, senhoras e senhores! Quem foi que disse que havia roteiro para essa grande peça? Quem te disse, mentiu! Silêncio, espectadores! Agora começa o mais importante ato de todo o espetáculo.

Rebeldia pulsando em meu peito, malas prontas. O primeiro dia do resto de minha vida acaba de começar. Como minha, tão minha quanto puder ser, essa vida será do jeito que eu sentir vibrar o espírito. Entrego os cartões de crédito de limites altos e também o financiamento do carro que achava que havia sonhado em ter. Eu não sonhei não senhor. Entrego! Olho em volta e cada moedinha do pote do final do arco-íris está caída pelo caminho. O danado está vazio, pronto pra guardar as moedas que eu, por sorte, tiver notado e recolhido. O reconhecimento verdadeiro sobre celebrar cada pequeno milagre, de ser feliz em cada pequena vitória.

Eu não quero ser feliz no fim. No fim, quero deitar em berço esplêndido de meu ser, contemplar um céu de estrelas que eu mesma ascendi nessa vida, de reavaliar com amor e compreensão as que apaguei, e ao dormir o sono eterno, partir com a certeza de que fiz o que podia, com o coração que batalhei pra ter, por aqueles que nele moraram e morarão pra sempre! Felicidade é estado de espírito do hoje, e nessa de recalcular a rota, pude encontrar com tanto de mim que desperdicei por esperar ansiosa o amanhã. Amanhã, seu danado! Você nunca me disse que seria resultado do meu hoje e eu, inocente, sentei educada na beirada da estrada te esperando chegar. É hora de caminhar!

Que não seja pra depois, o riso preso na garganta de hoje. Que seja agora, essa alegria contida que mora dentro de nós e que reprimimos porque socialmente, isso seria loucura. É mesmo loucura, e a maior insanidade é tentar ser normal numa sociedade tão doente. A vida nos pede o temor e a delícia de apostarmos todas as fichas em nós mesmos, em nosso dia feliz, em nossa realização pessoal! Hoje, esse dia cinza, é tudo de mais belo que podemos segurar nas mãos e ainda que as dificuldades do cotidiano nos assole, esse danado tem tudo pra ser fantástico! Vamos, gente! É hora de pegar o primeiro retorno e contemplar a vista bonita que o pôr do sol sempre tem. E não importa se ele está entre prédios e avenidas, ou na beira de uma praia de areia fina! O espetáculo é o mesmo: o grande palco está dentro de nós!

Mayra Peretto

Mayra Peretto

Uma mulher de cabeça e coração sempre cheios! Capricorniana da gema, produtora de eventos por profissão e escritora pra vida. Apaixonada pelo 'hoje', escreve sobre o que pulsa nas veias e escorre pelos olhos. Seus dias são feitos de poesias, boas músicas e muita luta!"
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