RESOLUÇÃO DA SEMANA | TEORIA DA JANELA QUEBRADA

0

Leia ouvindo: Wun Two – Again

Em Nova York, o declínio foi tudo, menos paulatino. Algo mais teve um claro papel na inversão da epidemia de crimes nessa cidade.

O candidato mais intrigante a esse “algo mais” chama-se teoria das janelas quebradas. Ela é fruto da imaginação dos criminologistas James Q. Wilson e George Kelling. Os dois argumentaram que o crime é o resultado inevitável da desordem. Se uma janela está quebrada e não é consertada, quem passa por ali conclui que ninguém se importa com aquilo e que não há ninguém no controle. Em breve, outras janelas aparecerão quebradas, e a sensação de anarquia se espalhará do prédio para a rua, enviando a mensagem que ali vale tudo. Segundo Wilson e Kelling, em uma cidade, problemas relativamente insignificantes, como pichação, desordem em locais públicos e mendicância agressiva, são o equivalente das janelas quebradas – convites para crimes mais graves.

“Assaltantes e ladrões, sejam oportunistas ou profissionais, acham que suas chances de serem presos ou até identificados diminuem se atuarem em ruas onde as vitimas em potencial já estão intimidadas pelas condições reinantes. Talvez o ladrão pense que, se a vizinhança não é capaz de evitar que um pedinte incomode as pessoas nas ruas, é menos provável ainda que chame a polícia para identificar um possível assaltante ou interferir se a agressão realmente acontecer.”

Essa é uma teoria da epidêmica do crime. Ela diz que o crime é contagiante – assim como uma tendência de moda – e pode começar com uma janela quebrada e se espalhar por toda a comunidade. O ponto da virada nessa epidemia, entretanto, não está em determinado tipo de pessoa – como uma comunicadora como Lois Weinberg ou um Expert como Mark Alpert. Está em algo físico, como as pichações. O ímpeto de adotar uma forma especifica de comportamento não vem de certo tipo de indivíduo, e sim de uma característica do ambiente.

O trecho acima foi retirado do capítulo quatro, O poder do contexto (parte um), do livro The Tipping point (ou O ponto da virada) de Malcom Gladwell. O capítulo aborda de maneira minuciosa e didática a ascensão e queda do crime em Nova York. Gladwell se tornou meu escritor favorito com esse livro, com as inúmeras análises feitas de fatos históricos versus realidade cotidiana.

O livro me trouxe insights maravilhosos, e a Teoria da Janela quebrada está entre eles. Apesar de ser uma teoria aplicada ao direito penal, se adaptarmos como analogia para a vida, conseguiremos trazer para a realidade uma verdadeira bússola para o amor-próprio.

Fotografia: Juliana Manzato

Você já parou para analisar suas janelas? Seus vidros estão em perfeito estado ou precisam de manutenção? Já parou para se colocar no papel de observador e simplesmente olhar para sua vida? Muitas vezes precisamos olhar com calma para nós mesmo, afinal, qual mensagem estamos passando?

Engana-se quem pensa que essas janelas fazem qualquer tipo de relação com o físico, pelo contrário, a análise aqui é para dentro, para nossa capacidade de olhar para os sinais que estamos emitindo para sermos tratados de determinada maneira.

Já parou para pensar por que você anda atraindo tantos relacionamentos problemáticos? Isso não inclui apenas relacionamentos amorosos, mas as pessoas com quem você convive, também dizem muito sobre você. E me diz mais uma coisa, como você anda sendo tratado pelos outros? Como você reage a opiniões e resultados diferentes do que você gostaria?

É exatamente isso que você está pensando. É olhar para fora e analisar por dentro. É mudar atitudes e sentimentos. Não são as respostas que você recebe, mas as perguntas que você faz. Não é a força que a bola volta para você, mas a força com que você arremessou a bola.

As pessoas só fazem com você aquilo que você permite. Sem o seu basta, o ciclo continua. Entende a importância da análise?

E não é simplesmente pegar um fato isolado, é analisar o contexto. Não é se fazer de vítima, é assumir responsabilidades. Por fim, é saber que suas janelas quebradas passam mensagens importantes para os outros. Os outros nunca vão definir quem você é, mas as suas janelas, quanta diferença. Percebe? Não é o outro é você.

Quando olhamos para dentro entendemos que a cura para todos os males não está no outro, está em dentro de nós mesmos. Quem pode fazer por você, bem, é você mesmo.

Talvez seja uma boa hora para iniciar a reforma. Nunca é tarde para trocar vidros quebrados, pintar paredes descascadas, limpar de baixo do tapete e mudar móveis de lugar.

(Vai por mim).

Juliana Manzato

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras.Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Faz da vida poesia e textos. Muitos textos!Sonhos? Vive deles
Juliana Manzato

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.