SABÁTICO

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Leia ouvindo: Florence + The Machine – Dog Days Are Over

Começar é preciso, já dizia o clichê! Recomeçar, então… Ai, meu Deus! Sério? À essa altura do campeonato?

Olá, prazer! Meu nome é Marília, tenho 31 anos e, atualmente, moro no Chile; meu 5o país de residência… Sejam bem-vindos ao meu Ano Sabático!

Ano Sabático?

Entende-se por Período Sabático determinado espaço de tempo dedicado à atividades diferentes das realizadas no cotidiano (dela) de uma pessoa, em busca de crescimento pessoal através de renovação de ideias, alinhamento de propósito, aprendizagem de novas atividades, realização de estudos e mil outras coisas que eu poderia ficar aqui descrevendo para vocês.

E sabe que, até para os que gostam de história e/ou religião, o Período Sabático tem uma lógica? Pois é! Realizar uma pausa em suas atividades rotineiras de trabalho é uma prática milenar realizada pelos judeus há cada 7 anos (conforme ordena suas escrituras sagradas). Seguindo a linha de raciocínio do Shabat (descanço ao 7o dia da semana), que é amplamente seguido por muitas religiões do mundo inteiro, os judeus também possuem o Shemitá, que é o descanso do solo de 7 em 7 anos, ou seja, as escrituras judaicas ordenam que os judeus plantem durante 6 anos, parem ao 7o ano para que o solo descanse e voltarem ao trabalho agrícola somente no 8o ano. Toda a colheita realizada no Shemitá, é sagrada para eles.

Para os ateus e céticos de plantão, muitos estudos na área de economia mundial associam boons econômicos, crises e até guerras à essa cronologia judaica.

E pra exemplificar, aproveitando que estamos falando sobre “boom”, não posso deixar de mencionar a ocidentalização clássica e, também, clichê: “Comer, Rezar e Amar”, que foi, indiscutivelmente, um dos livros que mais me tocou em uma época em que eu sequer pensava racionalmente sobre isso.

Segundo dados do DataFolha, 62% dos jovens brasileiros querem sair do Brasil – isso equivale à população inteira do estado de MG!

E foram com muitos, muitos, muitos dados e pesquisas que eu decidi ultrapassar as barreiras do meu próprio preconceito, para realizar Um Ano Sabático, em busca do meu propósito.

Fotografia: Arquivo pessoal

Essa última frase resume muitíssimo quem sou eu: uma mulher de alma livre que luta diariamente para desfazer cada uma das amarras do patriarcado que nos faz ser totalmente inseguras e cautelosas. Tá aí a explicação da necessidade de tantos dados (sempre!) para poder afirmar certezas que tenho dentro de mim.

Ficava cada vez mais claro que eu estava totalmente infeliz e cheia de sentimento de desperdício, de tempo e energia, com resultados que só alimentavam um sistema com o qual eu discordo totalmente.

E se isso ainda não era o suficiente para eu “abandonar o barco” (o que é um termo totalmente equivocado, pois hoje, não me vejo abandonando barco algum, mas sim começando a remar para o lado correto), trago mais um dado: O brasileiro é o trabalhador mais estressado do mundo! Esse ai é da Robert Half, empresa líder mundial em recrutamento especializado. (Sim; pasme!). Um PS bem importante: o stress mata!

Quem nunca ouviu algum caso de infarto, AVC, câncer, entre outros em jovens condenados extremamente sadios?

Uma vez, li em algum lugar que nós somos a geração mais mimada de todas; que vivemos com depressão, stress, que “não aguentamos o tranco” e fazemos longas sessões de terapia. Não seriamos nós, então, a primeira geração que entendeu que cuidar-se é preciso? E não estou falando sobre vaidade, alimentação e sedentarismo; estou falando do nosso psicológico também. Obviamente todas essas insatisfações e doenças sempre existiram, mas foram camufladas com muita violência, álcool, expectativas de vida extremamente reduzidas e muito mais!

Sem mais delongas, eu sou aquele clássico clichê (3a vez!) da profissional de carreira ascendente e acelerada, que parou para questionar onde chegaria com tudo aquilo e acabou avaliando que os caminhos que estava percorrendo a levariam para uma posição que não fazia o menor sentido pessoal; apenas satisfaria uma expectativa externa sobre o que é sucesso.

E o que é sucesso?

A reposta que sempre foi obvia, tornou-se relativa quando eu sequer consegui me lembrar em que momento comecei essa jornada; em que momento eu me desviei tão drasticamente do caminho que eu sempre considerei ser realmente importante e necessário para nosso planeta e os que aqui habitam.

E se, quando você pensa em alguém realizando seu Período Sabático, você idealiza imagens de meditação com monges tibetanos, um caminho claro de encontro ao seu propósito, sinônimos de plenitude e equilíbrio, considere que dificilmente alguém desfaz as amarras, quando está vivendo em plenitude e equilíbrio.

Então, senta, que lá vem história… Mas essa, fica pra depois!

Marília Archangelo

Apaixonada por viajar e pela natureza, trago na mala as experiências que me fazem ser quem eu sou e o entusiasmo, quase que um desassossego pelos olhares que ainda me transformarão em tudo o que eu vim para ser. Qual é o próximo destino?

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