Sentindo saudade

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“Temos essa mania de achar que só o que dura para sempre é um sucesso. Durabilidade nunca foi sinônimo de segurança, assim como o efêmero não é sinônimo de fracasso. Uma jaula é segura e nem por isso um lugar feliz, da mesma forma que viagens são fugacidades maravilhosas que se perpetuam dentro de nós. Nenhuma história é vã. Nada é. Nossa alma-memória, aquela que nos identifica, define e referencia, é como uma colcha de retalhos; alguns retalhos são mais bonitos que os outros, mas todos são necessários.” Trecho do texto (lindo!!!!) de Hilda Lucas na revista Lola de outubro.

Imagem: reprodução


Sinto saudade. Todos os dias para dizer a verdade. Saudade do colo da minha mãe, de amigos, de histórias, de pessoas, momentos, lugares. Sentir saudade significa que valeu a pena. Independente da história, temos a lembrança e a emoção do momento. Saudade é pedaço de vida. 

Tem saudade que a gente gosta de ter, de lembrar, de chorar de felicidade do tanto que valeu a pena. Saudade também é escolha. Escolhemos viver, ganhar, perder e tudo isso é lembrança. Lembrança não tem começo, meio e fim, é o nosso baú. Um baú emocional que conta a nossa história.  

A saudade pode ser os domingos de manhã, ou uma sexta-feira à noite, ou um dia qualquer. A verdade é que sentir saudade faz bem. Como bem disse Hilda no trecho acima, é como uma colcha de retalhos; alguns retalhos são mais bonitos que os outros, mas todos são necessários. Tem saudade que não é bonita, que a gente não quer sentir e que dói. Uma dor que arrebenta qualquer peito, que vem com lágrimas e com um aperto bem forte, tão apertado que faltar ar. Saudade essa, que só um abraço resolveria. 

Já a saudade bonita é aquela que vem com sorriso, com brilho e alegria. Saudade gostosa, que faz chorar de alegria e tem leveza, e tem amor e tem carinho.

Feche os olhos. Do que você tem saudade? Valeu a pena? É uma saudade bonita? Se for saudade triste, deixa o prato rolar. É só saudade. Já pensou naquilo que lá na frente, bem velhinho, você vai sentir saudade? Pode ser da juventude, dos filhos já crescidos, dos netos, da pele bonita que tinha aos 20 anos, das festas que ia na faculdade, do primeiro beijo… 

Faça da sua vida uma história que você gostaria de sentir saudade de tão bem vivida que foi. A saudade também é bonita. Tão bonita quanto a vida eu diria.




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