SOBRE AMOR E TRANQUILIDADE

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Leia ouvindo: LissA, Delamare – Zimt

Eu tinha acabado de terminar um relacionamento avassalador, com doses generosas de ciúmes, surtos e sexo barulhento. Chorava desesperadamente, inconsolável, a taça de vinho como companheira. Me perguntava o que eu havia feito pra nunca dar certo, pra sempre ficar com a sensação de ter nadado uma maré alta em vão. Foi então que uma amiga querida, libriana, que mal abre a boca mas que quando fala, é feito flecha certeira, me disse algo que mudou tudo: ‘querida, o homem da sua vida, aquele com quem você provavelmente casará e dividirá a cama e um punhado de boletos bancários, não será um desses exemplares que te tira o sono. O homem da sua vida, não é a sua grande paixão.’

Naquele momento, nada fez sentido. Eu resmunguei, saí cambaleando até a cama e entreguei ao meu travesseiro todas as lágrimas que meu corpo foi capaz de produzir. Meses depois, aquela dor não doía mais.

Fotografia: Gui Mira 

É claro que, depois de muitos relacionamentos avassaladores, eu fui me retraindo e desejando muito mais a calmaria dos meus dias sozinha do que a tormenta que vinha com os meus dias acompanhada. Até aceitava alguns convites para jantares, dava ao corpo a saciedade para meus desejos e no dia seguinte, fim! Sem resposta para qualquer mensagem, ou sem apertar o verde se a ligação fizesse o meu celular tocar. Estava tudo bem, não havia amargura e a solidão era mais como uma boa solitude! Eu me amei de novo, como nunca havia amado em toda a minha vida. E isso bastava! Estava lá, completa e feliz! Cheia de planos, cheia de sonhos, comprando passagem pra Bali e pagando a última parcela do siicone.

E então…BUM! O conheci por entre olhares desconfiados. Dois meses de muitas mensagens trocadas passaram por debaixo dessa ponte. Eu disse tantos “nãos” o quanto pude, para quase todos os seus convites. Até que numa quarta-feira de lua cheia, eu resolvi dizer SIM e deixar que ele entrasse em minha vida. Se foi avassalador o nosso primeiro encontro? Claro que não! Foi calmo e sereno, com a paz de quem sabe que tem a vida toda pela frente. Ele foi ficando bonito aos poucos, cada palavra que ele dizia me fazia ficar ainda mais interessada em sua vida e sua história. Fui me sentindo atraída por sua inteligência e mais ainda pela sua energia boa.

Dia após dia, a minha boca foi desejando ainda mais a dele. Meu coração sentia um aconchego inédito e impressionante em seu abraço. Nos vimos na quarta, repetimos na quinta, dormimos juntos no sábado. No domingo, ele me acordou com beijos sinceros e ao fazermos amor, meu corpo também pôde compreender os benefícios daquela tranquilidade. Era como pertencer e não ser dono! Como estar em casa, sentada na varanda, vendo o Sol se despedir do dia, ciente de que fez um bom trabalho.

Faz alguns anos que ele chegou e há alguns anos eu esqueci como era antes dele. Os dias são mais iluminados com a sua presença e ainda que não haja loucuras apaixonadas, vivemos diariamente a maior prova de coragem que o mundo pode reconhecer hoje em dia: decidimos amar de verdade!

Mayra Peretto

Mayra Peretto

Uma mulher de cabeça e coração sempre cheios! Capricorniana da gema, produtora de eventos por profissão e escritora pra vida. Apaixonada pelo 'hoje', escreve sobre o que pulsa nas veias e escorre pelos olhos. Seus dias são feitos de poesias, boas músicas e muita luta!"
Mayra Peretto

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