Sonho real

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Queria merecer um pouco do teu amor, só um pouco.
Queria que tivesse uma foto minha naquele porta-retratos bonito que vi no teu quarto outro dia, que ao acordar eu fosse o primeiro rosto que você avistasse.
Queria que fosse fácil essa coisa de ser correspondida, como a arara azul que só tem um parceiro e é fiel a vida toda, até após a morte. Pensei que você houvesse esquecido o que era lealdade, sentimento, respeito. Algumas pessoas esqueceram.
Imagem: reprodução

Queria merecer uma frase de afeto escrita por você naquele papel de mesa de bar, eu amaria ler e reler essa frase mesmo que fosse escrita em papel higiênico, e guardaria como uma prova do sorriso que você conseguiu tirar de mim e do momento instantâneo de felicidade.

Queria receber aquela ligação surpresa no meio do dia me dizendo que você estava olhando para meu doce favorito, ou tomando minha bebida predileta, ou só porque se lembrou de mim.
Percebi que nenhum desses momentos – sonhados – se tornou realidade. Caiu a ficha e foi difícil.  Decidi parar de sonhar, mas só consegui por uma semana, foi quando exatamente você me mandou aquela mensagem dizendo: eu amo você. Depois disso tudo que eu pensava que queria se mostrou pouco perto do que você me dá hoje. Entendi que se for pra sonhar: que seja com coisas grandes, improváveis e inimagináveis.
Queria merecer um pouco do teu amor, só um pouco, mas você me provou que posso tê-lo por completo.
Não quero ter um amor como o da arara azul, quero ter nosso próprio modo de amar: quando é de verdade dispensa exemplos a ser seguidos e viver à sombra de outras histórias. Fazemos nós mesmos a nossa, com erros e acertos, mas nossa.
Não quero estar no porta-retratos no seu quarto, quero ter meu próprio lugar dentro de você e quero chamá-lo de: abrigo.

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