Sufoco

0

Sabe aquela sensação de sufoco? Parece que você está lá no fundo do mar e não consegue chegar a superfície à tempo de respirar. Pois é, a segunda-feira é sempre assim. A gente nunca acha que vai conseguir acabar tudo à tempo, ainda mais depois do feriadão de sexta. Mas com fé, foco e sabedoria a gente consegue não só isso. Consegue muito mais.

É tanta cobrança, meta, vontades, que a ansiedade toma conta. Em meio ao caos, a gente foge e tenta fazer tudo ficar bem. Depois volta para o caos e resolve. Não tem muito o que pensar. Às vezes fugir do problema não necessariamente é ruim e também não significa que você não vai resolver. Sou a favor de um “deixa pra lá” temporário.

Fico angustiada com tanto sufoco e ansiedade, não sou mais tão lúcida como era, e por vezes, acho que me perdi no meio do caminho. Olho para vida e para os meus objetivos de 7 anos atrás, quando sai de uma cidade de 45 mil habitantes para morar sozinha em Campinas e ser mais uma no meio de 1,5 de habitantes. Ok, as pessoas mudam e é ótimo, mas tem algumas coisas que eu a gente não quer perder, tempo é uma delas. Não consigo mais ver os meus amigos de infância como gostaria, não visito com tanta frequência tios e primos, não consigo pisar na grama, dormir na rede e comer jabuticaba do pé como antes. Hoje, mal consigo dormir. Não dou conta dos livros e revistas, e da enxurrada de informação que recebo todos os dias. Perdi a minha lucidez para o tempo, que corre, tão ou mais rápido que o coelho da Alice, em seu país das maravilhas. Me sinto tão Alice, às vezes.

Penso que talvez todo esse sufoco seja só falta de organização, ou a crise dos 25 anos que enquanto a grande maioria se preocupou em curtir até agora, eu aprendi a ter responsabilidade e metas. Penso também que pode ser cobrança demais, ou só a vida adulta. Vida bem chata aliás. Queria voltar naquela época, em que a minha única preocupação era brincar, tirar um cochilo à tarde, tomar mamadeira e dar banho na pata, que minha bisavó criava na casa dela, aos domingos, onde os almoços eram longos e eu via meus primos.

Foto: meu arquivo pessoal

E pensar que quando eu tinha 15 anos, queria ter 18. Dos 18 pulei para os 24 anos e em março vou para 25. Se eu soubesse que ser adulta seria tão sufocante – pelo menos nas segundas-feiras, teria aproveitado melhor as sonecas a tarde, as brincadeiras no quintal de casa, e outras coisas simples que passam e a gente nem vê. Tempo, tempo, tempo, tempo…

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.