Terapia de banheiro

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Falo pelos cotovelos e tenho altos papos com paredes. De diversas cores e texturas, as paredes parecem me entender. Sou da turma do murro em ponta de faca, então falar com paredes parece algo normal.
Com as paredes o assunto bate e rebate. Não é espelho, mas parece que a parede funciona como um eco. Quanto mais alto você fala, mais alto ela devolve tudo o quê falou, por vezes conta para os vizinhos suas loucuras, dizem também que elas tem ouvido e disso eu não duvido. Ninguém nunca me ouviu tão bem como uma parede.

Eu costumo bater altos papos com as paredes de azulejos do meu banheiro. Ali é a minha terapia, e o box é o meu divã. Com a água caindo sobre a minha cabeça, caem também as lágrimas, abrem os sorrisos e eu finalmente destranco o coração. Qualquer fraqueza, dor ou sentimento aparecem sem serem julgados.

{ Imagem reprodução } 

Minha terapia preferida é essa, a do banheiro. Me resolvo, me perco, choro muito, desabafo, grito, jogo tudo para o alto, fico em pedaços, junto os cacos, tenho ideias, inspirações, histórias criadas e compartilhadas só com as gotas d’água.

Já vivi durante o banho histórias que jamais viveria na vida real. Já fui mocinha, vilã, já tive finais felizes que ate Woody Allen queria ter visto. Já coloquei metas para a vida e tomei importantes decisões.

Do banheiro para dentro é o meu mundo, aquele que talvez nem meus pais, que me conhecem tão bem, imaginam. O mundo em que tudo acontece do meu jeito, que eu tenho total e absoluto controle e que fica para trás toda vez que desligo o chuveiro.

Talvez uma das melhores terapias seja essa, estar com a gente mesmo no nosso mundo, com os nossos devaneios, onde tudo faz algum sentido. Onde a gente pode ser a gente mesmo, afinal paredes e água, não julgam! O máximo que acontece é barulho e eco.

Quem disse tudo isso foi aquela que adora mundos particulares e terapia de banheiro.

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