Tipos de homens e o grau de roubada

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por Xico Sá
Por sugestão de generosas Lolas da plateia do meu bate-papo na “Casa Folha”, durante a Flip, reúno todos tipos de homens de alta periculosidade -e outros nem tanto- que foram citados aqui nestes últimos anos de crônica de costumes.
O grau de roubada atribuído varia de cinco a dez. Por que já começa em cinco? Ah, de certa forma, seja de qual tipo for, o homem já nasce com um alto poder de canastrice.
Homem-Ossanha – É o grande e majoritário representante do nosso tempo tão marcado por machos vacilões. Trata-se daquela cara que repete o comportamento da música “Canto de Ossanha”, como no samba de Vinícius de Moraes e Baden Powell: “O homem que diz vou/ Não vai!” O cara que provoca, assanha a moça e sempre cai fora com uma desculpa furada de última hora. Grau de perigo: 9,5.

Homem-tupperware – O sujeito que a mulher moderna guarda para comer no dia seguinte. Tipo noturno, boêmio, ele exagera na dose e normalmente está sem condições técnicas para o sexo quando chega em casa. Sábia, a moça que o conduziu espera a recuperação do cara para então abatê-lo lindamente. Não representa grande risco: 6,5.

Homem-gourmet – A cerveja dele é gourmet,  o café é gourmet, até a água é gourmet. Se tudo é gourmet, perdão pela grosseria, mas nada de te comer. Corra, Lola, corra. Grau: 9.

Homem-ocupação – É o tipo que sempre tem uma causa. Ótimo. O mundo carece destes homens de boa vontade. O problema é que de tanto salvar o mundo, ele esquece justamente de você. Desocupa a área, Lola, desocupa. Risco moderado: 7.
{ Imagem reprodução } 
Homem de predinho antigo – Até este macho-jurubeba que vos fala já morou em um desses endereços durante o passado suspeito. Logo eu que dizia que todo homem que habita um predinho é, para dizer o mínimo, um metrossexual enrustido.
O pior deste tipo de homem nem é morar em tal lugar. O que mais dói é quando ele pronuncia, como toda a afetação desse mundo, que mora num “predinho-antigo-charmoso”.
O cenário do homem de predinho antigo é o seguinte: você entra, resistente leitora, e avista logo umas revistas chiques estrangeiras espalhadas pela sala, tipo “ID”, “Wallpaper” etc.
O cara manja de decoração e entende de iluminação indireta. É cada luminária de design que só vendo! Possui também cadeiras ou poltroninhas de grife, aqueles estranhos móveis com nome de gente. Grau: 8.

Homem-hortinha – Aquele mancebo que, ao receber as moças elegantemente para um jantar, usa o manjericão cultivado na própria hortinha que mantém no quintal ou na área de serviço.
Cultivar o próprio manjericão não é exatamente o defeito do rapaz. O problema é que ele passa duas horas a discorrer sobre o cultivo da hortinha. Uma amiga, coitada, conheceu um destes exemplares que cultivava até a própria minhoca usado como “fator adubante” da própria hortinha.  Corra, Lola, avoe, mina! Risco: 8,5.

Homem-bouquet – Aquele macho que entende de vinhos finos, abre a garrafa cheio de drama e nove-horas, cheira a rolha, balança na taça, sente o bouquet e curte o amadeirado. Gostar de vinho bom, velho Baco, não é um delito. Pecado mesmo é arrotar esse conhecimento por horas nas oiças da moça. Dispare, Lola, dispare enquanto é tempo. Grau: 9.


Macho jurubeba – O homem de raiz, roots mesmo, aquele que não admite frescuras, completamente oposto do metrossexual. Com o jurubeba não tem essa de cheirar a rolha. Brabo, ele protesta contra tudo isso que está aí em matéria de masculinidade. Risco: 7.

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