TUDO AO MESMO TEMPO

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Leia ouvindo: Angus & Julia Stone – Chateau 

Desculpe o mundo, mas os assuntos do coração não são os únicos que me afligem e tiram o apetite. Tanta coisa profissional envolvida que não diz respeito a mim, mas está tudo envolvido.

O sentimento é de estar em um Walking Dead, The Rain, o Eu sou a Lenda, tudo junto e ao mesmo tempo, sem os fatores do apocalipse zumbi ou chuva transmissora de doença.

A aflição ocorre pela necessidade de precisar com urgência do colo da minha mãe, um aniversário que se aproxima, uma relação que não deu certo. Uma vontade de entrar na concha confortável do útero familiar.
Aquele espaço onde o amor é mais que suficiente para secar lágrimas, finalizar as dores do coração.

Fotografia: Juliana Manzato

Quantas horas chorei por conta da necessidade do abraço. De gritar aos quatro ventos que eu tenho a melhor família do mundo. De brigar com a minha avó.

Fiz isso por telefone e não foi o suficiente. Me vi circulando na sua calçada, fugi quando ouvi sua voz de longe enquanto tomava coragem para decidir se deveria continuar. Fugi de mim mesma.

Me desesperei sozinha em meio a roupas secas espalhadas por todos os cômodos. Chorei entre o pó acumulado. Estapeei a falta de limpeza debaixo do edredom.

E no meio de uma gritaria interna dentro da minha alma, tive que encontrar forças para mais uma vez me amar.

Procurar os motivos para se amar todos os dias, costuma ser desrespeitoso. Há um nó no emaranhado do pensamento e a única obrigação é viver todo dia.

Luiza Pellicani

Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.
Luiza Pellicani

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