UM OCEANO EM MIM

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Leia ouvindo: Chet Faker – Melt

Eu onda tive que perceber novamente que sou um oceano, não escolhendo as possibilidades das marés, nem escolhendo a direção a favor ou contra a tudo aquilo no que acreditava.

A necessidade era segurar o choro, afinal, quando as lágrimas começam a cair elas têm uma tendência a ter um fluxo próprio como a maré.

Não há uma explicação lógica de como as coisas acontecem, tudo tem o início, o momento de descoberta, normalmente um meio, mas nunca desejamos um fim.

Fotografia: Juliana Manzato

Respeitar a vontade alheia não é algo muito fácil. Cada um tem seu tempo. O meu foi quando do nada esbarramos, enquanto saia de um fusca azul. O seu foi quando cruzou com outra apresentado por amigos. Ela não era eu e nem poderia ser.

Desde o primeiro minuto sabia que o destino havia reservado que fosse a mim destinado te dar forças para a sua jornada, e sorrir durante o caminho. Ouvi discursos, ouvi absurdos e achei que eu-oceano era apenas uma onda, ou nem isso, talvez uma pequena marola.

Desejei carinho, desejei amor, desejei divertimento. Recebi pouca coisa em troca, talvez meu desejo nos ouvidos alheios parecia apenas um lamurio numa súplica sem fim.

O corpo todo dói em uma tendência de não acreditar. Os cosmos corresponderam trazendo de uma só vez todos os problemas possíveis e impossíveis. Para melhorar era 30. Uma data para relembrar que isso já havia acontecido antes.

Parece referência a série 12 Monkeys, que o tempo passa, mas as vivências são quase sempre as mesmas.

Só sei e espero que tudo mude, mas quando o silêncio bate pareço fazer fazer uma oração que ninguém escuta e responde.

Meu cérebro martela que toda a dor de súplica agora foi resultado das minhas escolhas.

Eu fui atrás, eu liguei nos domingos pela manhã, eu pedi ajuda para trocar o chuveiro, eu me ofereci para revisar seus problemas, eu me envolvi e fiquei na posição de esquentar o assento para a próxima passageira. Ou a próxima oceano a se tornar onda por causa do seu borderline.

Quero continuar no foco do equilíbrio, e em busca da calma que sua presença trouxe, tentar capturar coisas boas para continuar a viver.

Tentar ser – pelo menos – sempre pulsante, alucinada e leal. O foco de respirar diante de cada problema, de entender que às vezes, nem sempre será do meu jeito, e que eu não sou o problema, não sou a errada, não sou menos mulher.

Sou poderosa. Sou oceano.

Luiza Pellicani

Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.
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