Vem, me dá a mão

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Começou a música. Para tudo!

-Vem, me dá a sua mão.
– Onde você vai?
– Vem! Só segura a minha mão.

E lá fomos nós, para o meio da pista aproveitar a nossa música preferida. Amigos que somos, seguramos as mãos bem forte, afinal, ali no meio o lugar era disputado. É no meio da pista que a música preferida chega ao coração mais rápido, na velocidade do som.

Fechei os olhos e quando percebi, meu corpo se mexia quase que involuntariamente. Não existia ali possibilidade de ficar parada. A música já tinha chegado ao coração e o som parecia percorrer o meu sangue.

Quando abri os olhos, vi que você estava me observando. Agora não mais como um amigo ou parceiro de festas. Vi o suficiente para perceber que a sua pupila estava dilatada e isso já significada bastante coisa. Me vi com um frio na barriga estranho e logo cai na gargalhada, típico mecanismo de defesa de quem esta nervosa.

Você caiu na risada junto, logo depois. Você era especialista em quebrar climas e me tirar de situações complicadas, que eu sempre me metia.

– Vem! Segura a minha mão. Você disse.

Segurei com a confiança de quem sabia bem o queria e fui. Segurar a mão já não era mais nada, eu estava envolvida em seus braços e nos seus beijos, bem ali no meio da pista de dança. Não tinha mais como escapar! Não era só amizade, era a vida me mostrando que era possível. E olha que você sabe o quão durona eu sou.

{ Imagem reprodução } 

Naquele momento percebi que não temos controle sobre nada, a vida é involuntária, o destino te pega pelo braço e te coloca no caminho certo quando você achava que tudo estava no lugar ou pelo contrário, perdida. Você percebe também que não existe acaso mais bonito do quê dois olhares quando se cruzam e nem quando dois lábios se tocam. Percebe que se uma coisa acontece uma vez, ela pode nunca mais acontecer, mas se acontece uma segunda, possivelmente vai acontecer uma terceira, dando sequência a outras. Percebe que o amor da sua vida pode estar do seu lado, te observando e cuidando através de uma amizade. E percebe que se a gente não permitir que a vida continue sendo involuntária, nada de realmente bom vai acontecer.

Quando pedirem para segurar a sua mão, segure com a força de quem sabe o quê quer. Desligue o piloto automático, a vida tem ritmo próprio.

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