Xeque-mate

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Hoje foi dia de jogo. O tabuleiro dos meus sentimentos se abriu sozinho e começou a disputa, todas as peças a postos esperando para adentrar os quadradinhos pretos e brancos. Por onde começa?

De início, a Preguiça tomou a frente e avançou a primeira casa. Trouxe com ela aquela vontadinha de permanecer na cama e esquecer do mundo nesse dia chuvoso e frio. Do outro lado, a Força de Vontade deu o primeiro passo. Enobrecer com o trabalho e ter um corpo bonito são as principais armas dessa peça. Vai ser uma partida interessante…

Logo ali do lado veio a Raiva. Queria porque queria avançar 8, 9, 10 casas. Trazia consigo o rancor de gente, lugares, situações. Veio cheia de vontade de destruir todos os oponentes. Que dó, não sabia que do outro lado a Felicidade vinha saltitante… “Tanta coisa boa para celebrar nessa vida”, ela pensava, tão cegamente que nem se dava conta que estava derrubando um monte de peças à sua frente…

De repente, o Medo entrou em campo. Paralisou todas as outras peças, que tremiam com a sua presença. Queria dominar o tabuleiro, foi andando sombrio e vagaroso por diversas casas. Permaneceu no reinado durante boa parte do jogo – ninguém queria enfrenta-lo, era difícil demais. Não para a Coragem, que sequer estava escalada para essa partida, mas mandou reforços súbitos caídos de paraquedas em queda livre. Dominou.

A Paixão apareceu e travou uma luta com a Razão. O Desejo quis influenciar e ainda teve ajuda da Teimosia. E o Ciúme, que ficava questionando todos os movimentos de todo mundo? Queria satisfações o tempo todo, mas tomou logo um corte da Liberdade – faceira, vinha espalhando ideais utópicos e bonitos. Tudo isso rodeado pela Saudade, que fazia movimentos repetidos, praticamente em círculo, e não era combatida por ninguém.

Foi uma confusão. Algumas peças foram caindo no decorrer da partida, outras cismavam em fugir do inimigo e confirmavam a contínua batalha. Uma mistura complexa, quase impossível solucionar um jogo desse.

QUASE impossível. O tabuleiro brilhou quando ele chegou. Passou por cima de um por um, com a Paciência, a Compreensão e o Companheirismo como aliados. Era como se espalhasse flores por onde passava, tornou tudo muito mais bonito e prazeroso. Não foi fácil, mas detonou tudo que vinha pela frente com o suor de um sentimento determinado. Xeque-mate.

Não tem jeito… O Amor sempre vence.

Imagem: @natycossan

1 comentário

  1. Cássia Araújo Diz

    Demais esse texto. Vc soube encaixar cada sentimento, cada jogada… parabéns! É por essas e outras que eu adoro esse blog. Bjsss.

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