VAI-TE | AGORA EU SÓ QUERO

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O amor agora eu só quero se for para segurar na cintura enquanto a gente anda pelo bairro, se arrumar meu cabelo de uma forma atrapalhada, olhar sem curva e eu saber que ali tem alguém inteiro – do contrário, eu prefiro o happy hour no meio da semana para quebrar a rotina.
Eu quero se tiver mensagem de bom dia, trilha sonora, apelido, cinema e café da manhã que vai até a hora do almoço no domingo – é assim, ou vou comprar passagem para o próximo feriado em Inhotim com as amigas.
Eu topo se disser que vai ligar e liga. Se disser que sentiu saudade quando sentir saudade. Se não fizer jogo. Se tiver assunto, se gostar de praia e Los Hermanos. Por menos que isso eu não dispenso as paixões de verão, o moço legal da academia que sempre me ajuda a trocar os pesos da barra, os amores à distância que vez ou outra vêm visitar, muito menos a paquera na fila do supermercado e no elevador do condomínio.
Fotografia: Juliana Manzato
Quero se tiver interesse pelo meu mundo, meus assuntos, minhas esquisitices, minhas dores e meus medos, se for doce e ao mesmo tempo firme, se dirigir sem pressa e escolher playlist das boas para pegar estrada.
Se estiver disposto a um amor que dorme e acorda junto, que se atrasa, não concorda com a nossa opinião o tempo todo, tem ciúme idiota de vez em quando e esquece de comprar a pasta de dente (mas lembra do sorvete de pistache).
Eu tô falando desse tipo de amor que não faz sucesso em filme nem em comercial de TV, mas cairia muito bem no meu sofá, sem camisa, comendo pistache e tomando cerveja, enquanto eu tomo vinho e leio a Biografia da Malala.
É exatamente este tipo de amor ou então: “Me desculpa! Mas hoje tem apresentação da Orquestra Sinfônica da Petrobrás e amanhã eu acordo cedo para correr. Não posso ficar!”.
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