A BATIDA DO SEU CORAÇÃO

O seio familiar é um frenesi total quando se está longe e uma segurança para continuar a jornada.

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Leia ouvindo: Joan Osborne – One Of Us

O mundo estava cinza. A escala de cores do meu mundo solar precisava de uma pitada do doce mais doce do mundo. A minha felicidade irritante precisava ser recarregada e tem horas que é só no conforto da família que a gente acha isso.

O abraço necessário de recarga, aquele abraço com os ouvidos colocados diretamente no coração dela. Sentir seu fluxo sanguíneo, sentir sua respiração, seu cheiro e o calor do seu corpo. O mundo para quando estou no abraço da minha mãe. O coração acelera sabendo que estou no meu lar e no meu porto seguro.

Engraçado o quanto a família nos recarrega. O tom da voz do meu pai. O jeito como ele sorri e como quando me fita os olhos cheio de orgulho e um misto de preocupação. O olhar meio que fixado num ponto como quem também quer colo, num mix de satisfação quando explico que está tudo bem, aponto os saldos positivos da vida do trabalho, mostro as falhas em outras.

Fotografia: Luiza Pellicani

O seio familiar é um frenesi total quando se está longe e uma segurança para continuar a jornada. Eles estão ali, ao meu lado em cada jornada, em cada amor e em cada lágrima. Cada qual do seu jeito, cada qual sempre presente.

Não consigo listar um só dia de felicidade ou amarguras da vida sem ter ao lado essa base. Aquelas mãos que me levantam em cada queda, aquelas mãos carinhosas que afagam em cada vitória.

Dizem que a vida é uma página em branco e cada um que passa em nossa vida deixa um risco, um traço, uma cor. Com a família eu aprendi a ser forte, a ter respeito pelo outro dentro do nosso pequeno, grande organismo familiar.

Esse organismo pulsa história, vitórias, derrotas e caminhares. Quanto mais olho para dentro de mim, mais me encontro nesses primeiros riscos, na primeira felicidade da infância até a adolescência.

É difícil crescer, passar pela infância, adolescência e continua sendo difícil na vida adulta. Mas sempre que parece difícil demais pouso o ouvido no peito da mãe, ouço os ruídos do seu corpo, os primeiros sons que ouvi, sinto o calor do abraço do meu pai, sua voz alta, única e calorosa e volto a ser eu, volto a ser criança, e instantaneamente a ser feliz e continuo a jornada que tiver que caminhar.

Luiza Pellicani
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