A despedida de um Mito

Leia ouvindo: Angus & Julia Stone – Heart Beats Slow

Gisele

[ Imagem: reprodução ]

Entrei para o mundo da moda em 2008, mas muito antes disso já sabia da existência da gaúcha, de corpo esbelto, cabelos loiros, ondulados, caminhar marcante e sorriso largo. A identificação depois de ir um pouco mais atrás da sua história foi imediata. A história dela é igual a de muitas, por isso da identificação, empatia. Os pés bem fincados no chão e sonhos lá no alto. Um planejamento de carreira incrível, uma mulher iluminada, de beleza rara e jeito simpático, meio que gente como a gente, sabe? Admirável.

Falando assim, até parece que eu a conheço pessoalmente, fui amiga de infância ou já fiz algum trabalho. Nunca se quer cruzei o caminho dela, mas ela cruzou o meu. Não fico babando o ovo por ninguém, mas por ela, já comprei revistas, guardei matérias e a tenho como exemplo de mãe, mulher e profissional.

Como a mídia bem disse, um mito.

Sabe Gisele, sem mesmo nunca ter te visto – mesmo que de longe, gostaria de dizer que te admiro. Admiro o seu poder em ser mulher, várias em uma. Uma, única. Camaleoa do cabelo volumoso e com ondas. Aliás, preciso te agradecer por isso, graças à você comecei amar meu cabelo volumoso e com ondas, que nem chega perto do seu – mas que foi tão bem aceito depois de você. Seu corpo magro, mas ao mesmo tempo com curvas também inspirou. Seu estilo de vida, sempre indo de encontro com a simplicidade me encanta. Gosto tanto de pé na grama quanto você. Acho que o seu jeito de lidar com a vida pessoal x holofotes incrível. Discreta na medida. Simpática sempre. O foco sempre foi sua carreira para a imprensa, não fotos dos seus filhos, que são fofos demais – confesso! Em épocas de  tamanha exposição, você consegue driblar os olhares. 

Mas o que mais me chamou atenção em você foi o fato de ser realmente a dona do seu próprio destino. Você chegou ao topo e hoje, mesmo encerrando o ciclo das passarelas, você continua no topo, de onde jamais – na minha opinião – vai sair. Não é te colocar em um pedestal, intocável, como Deusa, mas é te contar o que talvez você já saiba: é inspiração.

A despedida das passarelas foi memorável, mas sinceramente, para mim não teve um ar de despedida. Mês que vem vou abrir alguma revista e dar de cara com você, sendo sempre Gisele. Quando todo mundo achava que aos 34 anos era hora de se aposentar, você foi lá e mostrou que a vida de modelo não é tão curta assim. Não para quem se reinventa, abre portas, pula janelas, abre caminhos…

Você não é só a melhor modelo do mundo, case de marketing, branding, milionária, rica, de família margarina e magra (!!!). O que para muitos já é mais do que o suficiente, não é para você. Tenho a impressão que você quer mais. Tenho a impressão que as vezes esquecem que você também é mulher, mãe, filha, tia, prima, irmã, cunhada, amiga, humana, como todas nós. É lindo ver o seu sucesso, mas fico pensando de quantas coisas você teve que abrir mão para chegar onde chegou. Quantos “nãos” você levou? Quantos noites você não dormiu? Por quantas humilhações você passou? Quantas recalcadas tentaram te derrubar? Quantas frustrações teve? Quantas vezes dormiu longe do marido? Não deu um beijo de boa noite nos seus filhos? Qual foi a última vez que você chorou? Valeu, ou melhor, ainda vale a pena? O lado bom é sempre mais fácil, mas imagino por quantas dramas  você passou. Digo com o olhar de mulher, que vive tantos dramas como você vive/viveu.

O copo para você sempre estava mais cheio. Azar daqueles que o viram vazio. Sorte a sua.

Não te vejo mais nas passarelas, mas te encontro na próxima revista de moda. Linda, rica, magra e que se basta. Ah, Gisele…

2015_Ju

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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