A Falta

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Descobrir que alguém faz falta. Querer contar novidades pra alguém e sentir que este não está acessível. Querer compartilhar e não poder. Sentir que sua opinião já não mais é auto-suficiente.
Nesta mesma via, ver-se frente à situações onde não se sabe o que esperar do outro. Ao passo de que valores, numa relação, são parte do essencial para mantê-la, é complicado definir o que se sente quando na exceção o sentimento fez correr etapas. Você confia plenamente em algo que não sabe como vai reagir, não sabe dos costumes. Apenas conhece o pouco disso misturado com parte do seu.
É claro e histórico que sentimento este do qual falamos é conhecido por embobecer seus usuários. Que podem também ser tratados como viciados.
A fase de excitação com o novo é temporária, o que não significa que não possa ser longa o bastante para cruzar anos, até para que se forme uma imagem e crie um sentimento sobre aquilo.
O processo de descoberta, este sim demorado, é o que de fato vai dar forma à coisa.
A questão é (perguntada por insistência da já sabida resposta, que por vezes não existe): como se portar diante de um alguém que é especial antes mesmo de ser novo? Quais expectativas criar? Como reagir? Como manter? Como saber se vale a pena manter?
Você, leitor (a), vive num mundo onde o que quer que seu cérebro possa ser capaz de vislumbrar, incluindo as mais loucas e espontâneas ações e reações, é, no máximo, uma fatia insignificante das reais possibilidades que cada escolha, ato e gesto possam proporcionar.
Uma relação é vital para sua existência? O que a tornaria? E aí?
Pretencioso aquele que se arriscar a responder qualquer destas questões. O fato é que existe um termômetro, incerto, que é capaz de apontar um norte para todo isso.
Esse termômetro, a falta.
Quantos amigos, amigas, colegas, conhecidos, clientes, familiares você tem? Com quantos deles você fala todos os dias? O que o motiva a falar com eles? O que eles fazem para despertar essa vontade?
O que torna alguém especial?
O que você faz quando qualquer destes seres está indisponível? Como se você entrasse no msn e ele não estivesse online. Ou, se de fato essa fosse a situação.
Quando a falta faz faltar, não importa de quanto tempo estamos falando.
Este post foi motivado por uma falta. Temporária e com prazo pra terminar. O engraçado de tudo isso, mesmo quando a ausência é temporária, é que o simples sentimento de imaginar que isso pode se transformar em algo concreto e permanente, mete medo de verdade.
Aí, nesse ponto exato, é que você descobre que perdeu em todas as instâncias. Você sabe que vai fazer o possível para manter essa relação. Que o responsável por essa movimentação é importante. Por mais que você relute e pense que não.
Eu, sinceramente, acredito nas coisas que estão escritas nesse post. Talvez dê pra criar uma regra com isso. Mas existe um outro fator que, somado a tudo isso, bagunça tudo.
Esse fator, a intensidade.
As pessoas mais incríveis que eu conheço, as experiências mais interessantes que tive, sem dúvida, aconteceram com pessoas que, na ocasião, eu não conhecia há muito tempo. Hoje, algumas delas, talvez sim.
Intensidade, quando verdadeira, vale mais que tempo. Por isso sentimos tanta falta daquela galera daquele verão que conhecemos naquele lugar e ficamos juntos por uma semana inteirinha. Sentimos falta, choramos.
Quantas dessas pessoas são amigas até hoje? Desde o verão de 2002 e ainda amigos? Desde três semanas atrás e ainda apaixonados?
A época é propícia e o recado válido: faça-se presente, sempre, para aquelas pessoas que você sente falta. Se o sentimento é forte o bastante para sentir a falta, a recíproca provavelmente é verdadeira.
Um beijo.
Bruno Cantarim

*Bruno, sensacional o seu texto. Não tinha nem por quê não abrir espaço para você escrever! Obrigada. Beijos Ju
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6 Comments

  1. @AninhaRuiz says

    “Faça-se presente, sempre, para aquelas pessoas que você sente falta. Se o sentimento é forte o bastante para sentir a falta, a recíproca provavelmente é verdadeira. “

    Muito, muito, muito bom! De verdade! Parabéns!

    Isso sim eu chamo de: sentir o que se escreve.

    Beijinhos.

  2. Caio Blumer says

    É como conversávamos ontem, as pessoas estão precisando e buscando o amor. Elas “perderam o tempo” do amor e agora…e agora?

    De fato o tempo da descoberta é infinito, ouço meus pais até hoje dizerem que você nunca vai conhecer o outro (marido e mulher, pai e filho, amigo) o suficiente. Nunca.

    Eu já perdi uma pessoa que deixei de ver por um tempo e nunca vou ME perdoar, e por isso hoje até cada amigo que faço é muito importante.

    Obviamente pessoas como essas que você descreve, especialíssimas, que fazem falta, que necessitamos ter presentes seja por voz ou por foto no celular, ou por um mero tweet. Essas pessoas são poucas, as vezes são curtas, as vezes são longas, as vezes serão infinitas. Eu espero que as sejam.

    PARABÉNS man, you rock!

  3. Lucas Bittar Magnani says

    A época é propícia e o recado válido: pratique as músicas em casa e principalmente a arquitetura das mesmas (by Namba). Assim não fará papel de mané no próximo ensaio/gravação.

    Att,

  4. Nane Costa says

    Isso tem um quê de paixão! Apesar de você só me zuar, eu gostei! hahaha =] Mais uma qualidade daquele que me enche o saco toda vez que abre a boca… ok ok, Silvio! Minha excelentíssima amiga já leu este texto? Ela ficaria muito feliz; tenho certeza! Mandou benzão! Parabéns! Beijos e em 2011 vc promete me zuar menos? Obrigada!

  5. Anonymous says

    Parabens pelo texto.
    Me tirou lagrimas sinceras, isso é mais do que prova de que o que foi escrito é puro e verdadeiro. !

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