A gente gosta mesmo é da loucura

por @JulianaManzato

Por inúmeras vezes me peguei em um estado pleno de equilíbrio. A vida pessoal ia bem, a carreira estava decolando, a vida financeira era estável, tudo parecia ir muito bem, até que eu descobri o que me incomodava: o equilíbrio!

Tudo estava em seu devido lugar, eu estava no controle da minha vida, como eu sempre quis estar. Na verdade, o “sempre quis” é uma bela mentira contada pelos meus pais. Meus pais me falavam da tal estabilidade, seja ela financeira, emocional, profissional, pessoal. Na cabeça deles ser estável era bom e uma garantia de vida, se posso assim dizer.

Até que o tempo passou e eu percebi que plenitude e estabilidade não era muito a minha praia. Eu gostava mesmo era da loucura, de não ter raízes em um só lugar, em ser cidadã do mundo, viajar, conhecer gente, me conhecer e perceber que eu me encontro muito mais na loucura do que na plenitude ou estabilidade. Que na minha opinião tudo que é estável, beira a chatice!

Eu gosto de ser inscontante, instável e intensa, me faz bem. Eu acho a loucura a maneira mais feliz – e corajosa, diga-se de passagem – de viver.

A loucura permite que a gente viva até a última gota, vamos do céu ao inferno em um segundo, como numa montanha russa, mas aquela adrenalina é que dá graça há todos os dias. É aquele frio na espinha, aquela sensação de liberdade, de fazer o que quiser sem esperar aprovação de alguém. 

Viver pro mundo e para as pessoas, dar uma volta ao mundo, viver de desafios, chutar pedras, pular muros – às vezes muralhas, que aparecem na nossa vida. É o sabor da conquista diária, de matar um leão por dia, de sentir um verdadeiro gladiador de vida.

Sou a favor da loucura, da insanidade, da intensidade. Louca? Não me importo de ser chamada assim. Não estou de passagem pelo mundo, quero aproveitar tudo que aparecer, quero sonhar sem ter pés no chão ou asas para voar, quero optar pelo caminho do meio, ao invés de escolher a direita ou a esquerda. Quero aprender com os erros, quero dar a cara a tapa, quero receber críticas sem medo, quero me redescobrir todos os dias. Antes de qualquer coisa, quero fazer de cada dia, uma conquista.

Eu quero a conquista diária, o desafio por minuto, a segurança por alguns segundos. Tudo que é fácil demais perde a graça, e se não fosse todos os obstáculos que passamos pela vida, nada disso valeria a pena. Passamos uma parte da vida buscando um amor, dinheiro, família, liberdade. E quando conquistamos, o quê acontece? Tudo perde a graça, a gente já conseguiu mesmo, não precisamos mais correr atrás de conquistar, de fazer loucura, de sentir o frio na barriga.

É justamente na estabilidade, que sentimos falta do nosso instinto de conquista, de vitória, de não ser só o morno – que aliás é muito chato. Buscamos o quente, o frio, o doce, o agridoce e o amargo…

Precisamos mais da loucura do quê da sanidade. Precisamos mais da emoção do que da razão. Precisamos pular mais muros, ao invés de escolher para qual lado cair…

Posso ser a pessoa mais louca do mundo, mas tenho certeza que vou ser a mais feliz. A gente gosta mesmo é da loucura, da instabilidade!

“Sou louca mais sou feliz, é mais louco quem me diz.” Sabedoria passada de vó para neta.

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admin

2 comentários em “A gente gosta mesmo é da loucura

  1. E viva a loucura e a instabilidade!!Que texto sensacional Juzinha, senti que foi do fundo da alma mesmo que você escreveu, sabe? 🙂

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